Confiança de Serviços recua 3,3% em julho
Em julho de 2026, o Índice de Confiança de Serviços (ICS), calculado pela FGV, recuou 3,3% em relação ao mês anterior, interrompendo a sequência de duas altas consecutivas. Com isso, o índice atingiu 87,8 pontos na série com ajuste sazonal (90,8 pontos em junho de 2026). O resultado refletiu a piora tanto das expectativas para os próximos meses quanto da percepção sobre a situação atual, com quedas disseminadas entre os componentes do indicador. Na média dos últimos 12 meses, o ICS apresentou leve recuo, passando de 89,3 pontos em junho de 2026 para 89,2 pontos em julho de 2026. Já na série sem ajuste sazonal, o indicador registrou retração de 2,1% na comparação interanual.
Na análise dos componentes, o Índice de Situação Atual de Serviços (ISA-S), na série com ajuste sazonal, recuou 3,1 pontos na margem, atingindo 89,5 pontos. Entre seus componentes, o indicador de volume de demanda atual caiu 3,7 pontos, para 90,6 pontos, enquanto o indicador de situação atual dos negócios registrou retração de 2,5 pontos, alcançando 88,3 pontos. Já o Índice de Expectativas de Serviços (IE-S) recuou 2,8 pontos na margem, alcançando 86,3 pontos. O resultado refletiu, principalmente, a piora das perspectivas de curto prazo, com o indicador de demanda prevista para os próximos três meses recuando 5,3 pontos, para 84,7 pontos, enquanto o indicador de tendência dos negócios para os próximos seis meses apresentou relativa estabilidade, ao registrar queda de 0,4 ponto, atingindo 88,0 pontos. Na comparação interanual, o IE-S apresentou retração de 0,9%, enquanto o ISA-S registrou queda de 2,9%.
Nesta edição, a FGV passou a destacar a evolução da confiança dos principais segmentos de serviços por meio da média móvel semestral. Os resultados mostram que, em julho, a queda da confiança foi disseminada entre todos os segmentos analisados. Os maiores recuos foram registrados nos segmentos de Transportes (-1,0 ponto) e de Informação e Comunicação (-0,8 ponto), enquanto Serviços Profissionais apresentou retração de 0,3 ponto e Serviços Prestados às Famílias registrou a menor variação negativa (-0,2 ponto). No agregado do setor de serviços, a confiança recuou 0,5 ponto na média móvel semestral.
O resultado de julho de 2026 interrompeu a recuperação observada nos dois meses anteriores, com o índice de confiança retornando ao patamar registrado em abril de 2026. A retração foi disseminada entre os componentes de situação atual e de expectativas, refletindo um ambiente ainda marcado por elevada incerteza. No cenário doméstico, a perspectiva de manutenção da política monetária em patamar restritivo, que impactam mais significativamente as atividades mais cíclicas, o elevado comprometimento da renda das famílias e os sinais de estabilização do mercado de trabalho tendem a limitar o dinamismo do setor de serviços ao longo do segundo semestre. Além disso, o aumento das incertezas geopolíticas também contribui para um ambiente de maior cautela entre os empresários.