Parceria entre Corsan e empresa de Cachoeira desenvolve tecnologia que reduz risco de danos em obras e opera em pelo menos oito estados
Uma tecnologia desenvolvida pela Corsan em parceria com a AMD Metalúrgica, de Cachoeira do Sul, está mudando a forma de executar obras de saneamento no Rio Grande do Sul e já chegou a pelo menos outros sete estados brasileiros além do RS. O equipamento reduz a intervenção no pavimento, agiliza a execução das redes e amplia a segurança dos trabalhadores.
A inovação faz parte da estratégia da Corsan de unir a experiência de quem está diariamente nos canteiros e a capacidade de desenvolvimento da indústria gaúcha. A lógica é partir de desafios concretos da operação para criar soluções que tornem as obras mais rápidas, seguras e com menor impacto para as cidades.
O equipamento que deu origem ao chamado “kit vala estreita” é uma concha de escavação de 25 centímetros de largura, com sistema patenteado de extração de terra. A tecnologia permite abrir valas de até três metros de profundidade. A partir dela, foram desenvolvidas ferramentas complementares, como rolo compactador de ponta de lança e bate-tubo, que permitem executar a obra sem que o trabalhador precise entrar na vala.
Na prática, o corte do asfalto pode cair de 80 centímetros para até 30 centímetros. Uma intervenção menor significa menos pavimento afetado, menor consumo de materiais e menor geração de resíduos, além de facilitar a recomposição da via.
“A intervenção menor no pavimento e a operação mais rápida reduzem os transtornos para quem convive com a obra, mas o principal ganho está na segurança do trabalhador”, afirma Denis Yurgel, gerente de Engenharia da Corsan.
Do canteiro gaúcho para outros estados
A parceria começou na fase de protótipos. As equipes da Corsan participaram dos testes de campo, contribuíram com a experiência da operação e ajudaram a identificar necessidades e requisitos técnicos. Hoje, a tecnologia apoia 180 equipes da Aegea e está presente em operações no Piauí, Amazonas, Santa Catarina, Pernambuco, São Paulo, Pará e Ceará.
“Estamos criando um ambiente em que a experiência das nossas equipes encontra a capacidade da indústria para desenvolver soluções. Ganhamos qualidade e escala para as obras no Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, ajudamos empresas daqui a abrir novos mercados. Quando uma tecnologia desenvolvida a partir de uma necessidade da Corsan passa a ser utilizada em outros estados, temos uma demonstração concreta da força dessa parceria”, afirma Samanta Takimi, diretora-presidente da Corsan.
Para Daniel Trojahn, diretor comercial da AMD Metalúrgica, a participação das equipes de campo foi determinante para o desenvolvimento. “A parceria com a Corsan foi decisiva para a ideia sair do papel desde a fase de testes. A empresa nos deu o retorno técnico de quem opera em campo. Hoje, nossa presença em vários estados mostra que uma empresa do interior gaúcho pode competir em qualquer lugar do país.”
Inovação desenvolvida no Rio Grande do Sul
O kit vala estreita integra um conjunto de soluções que segue a mesma lógica: combinar conhecimento operacional, engenharia e capacidade da indústria para responder à escala da universalização do saneamento.
Também é exemplo deste movimento a ETE Scotte, desenvolvida com a participação das empresas gaúchas Vértice, Lupa e Acerro. O conceito utiliza módulos industrializados para reduzir o tempo de implantação de estações de tratamento de esgoto. Em vez de executar toda a estrutura no local, parte do sistema é produzida em ambiente industrial e transportada para montagem no município, permitindo acelerar a entrada em operação.
Outra frente é o equipamento operacional 5 em 1, desenvolvido em parceria com a Masal. A solução reúne em um único veículo equipamentos que antes exigiam diferentes estruturas de apoio, reduzindo deslocamentos e tornando o canteiro mais eficiente.
Em Esteio, o Parque de Infraestrutura e Inovação também materializa essa estratégia ao reunir fábrica de tubos, usina de asfalto e outras estruturas voltadas a dar maior autonomia e velocidade às obras.
As iniciativas têm um ponto em comum: usar a escala do desafio do saneamento no Rio Grande do Sul também como oportunidade para desenvolver conhecimento, tecnologia e fornecedores locais. Com milhares de quilômetros de redes ainda necessários para alcançar os 90% de cobertura previstos no marco do saneamento até 2033, ganhar eficiência significa fazer mais rápido, reduzir impactos nas cidades, ampliar a segurança das equipes e encontrar novas formas de executar uma transformação que acontece em municípios já estruturados e em pleno funcionamento.