Estudo reúne indicadores de renda e proteção social no Rio Grande do Sul
A proporção da população do Rio Grande do Sul com rendimento domiciliar per capita inferior à linha internacional de extrema pobreza foi de 1,7% em 2025. O indicador considera renda abaixo de US$ 3,00 por pessoa ao dia, em valores ajustados pela Paridade do Poder de Compra (PPC) de 2021. Em um exercício que exclui da renda domiciliar os valores provenientes de programas sociais governamentais, o percentual seria de 4,5% no Estado. No Brasil, a taxa observada em 2025 foi de 4,3% e chegaria a 10,7% no cenário sem essas transferências.
Os dados integram o Caderno ODS Erradicação da pobreza: o ODS 1 no Rio Grande do Sul – 2015-2025, elaborado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). O estudo é de autoria do pesquisador Felipe Nathan Ferreira dos Santos, com revisão técnica de Raul Luís Assumpção Bastos.
A publicação acompanha indicadores relacionados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1, da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata da erradicação da pobreza. A análise considera pobreza monetária e multidimensional, proteção social, acesso a serviços básicos e exposição a desastres.
Renda e proteção social
Pela linha nacional correspondente a rendimento domiciliar per capita de até R$ 218 mensais, a proporção registrada no Rio Grande do Sul passou de 1,8% em 2015 para 1,4% em 2024. Na faixa entre um quarto e meio salário mínimo, o percentual passou de 12,9% para 9% no mesmo período.
O estudo também apresenta informações sobre a população cadastrada no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Em 2025, as mulheres representavam 57,6% dos cadastrados no Estado. Em relação à cor ou raça, 76,1% eram brancos, enquanto a participação de pretos e pardos correspondia a 23%, ante 19% em 2015.
A participação de pessoas com deficiência entre os cadastrados no Rio Grande do Sul passou de 3,9% em 2015 para 12,8% em 2025. No Brasil, o indicador passou de 2,4% para 8,1% no mesmo intervalo.
Indicadores por grupos populacionais
Em 2025, a proporção de pessoas abaixo da linha internacional de extrema pobreza era de 1,8% entre as mulheres e 1,6% entre os homens no Rio Grande do Sul. No recorte por cor ou raça, o percentual foi de 2,2% entre pretos e pardos e de 1,6% entre brancos.
Na divisão por localização do domicílio, embora a incidência tenha sido maior no meio rural entre 2015 e 2020, os indicadores passaram a se aproximar nos anos seguintes e, a partir de 2021, os percentuais urbanos superaram os rurais. Em 2025, a taxa foi de 1,2% na área rural e de 1,8% na área urbana.
Outro indicador analisado mostra que 77,1% da população ocupada de 14 anos ou mais no Rio Grande do Sul contribuía para instituto de previdência em 2025. No conjunto do Brasil, o percentual era de 65,6%.
Serviços básicos e acesso à internet
O estudo também analisa as condições dos domicílios em que pelo menos um morador recebe Bolsa Família ou Benefício de Prestação Continuada (BPC). Entre os beneficiários do Bolsa Família no Rio Grande do Sul, cerca de dois terços dos domicílios dispunham, em 2025, de esgotamento por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede.
A publicação acompanha ainda o acesso às tecnologias de informação e comunicação. Em 2025, 97,1% dos moradores do Rio Grande do Sul viviam em domicílios com utilização da internet. Em 2016, o percentual era de 78,8%.
Desastres
No indicador que reúne mortes, pessoas desaparecidas e pessoas diretamente afetadas por desastres, o Rio Grande do Sul registrou 7.220,2 por 100 mil habitantes em 2024. O relatório relaciona o resultado às enchentes ocorridas em maio daquele ano.
Segundo dados do IBGE reunidos no estudo, 478 dos 497 municípios gaúchos foram afetados pelas enchentes, com aproximadamente 2,4 milhões de pessoas diretamente afetadas. Foram registradas 183 mortes, 27 desaparecimentos, 806 pessoas feridas, cerca de 146 mil desalojadas e mais de 50 mil desabrigadas.
Outro indicador acompanhado pelo Caderno ODS trata da adoção de estratégias locais de redução de risco de desastres. No Rio Grande do Sul, a proporção de governos municipais com essas estratégias passou de 23,1% em 2013 para 56,7% em 2020. No Brasil, os percentuais foram de 23,1% e 47%, respectivamente.