Estado deve registrar neste ano quase 25 mil novos casos de câncer de pele
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Rio Grande do Sul deve registrar neste ano cerca de 24,5 mil novos casos de câncer de pele não-melanoma. A projeção abrange aproximadamente 14,5 mil diagnósticos positivos em pacientes do sexo feminino e 10 mil do feminino. Somados os gêneros, são quase 219 confirmações para cada 100 mil habitantes.
Já no que se refere ao melanoma – forma menos frequente porém mais agressiva da doença – são estimados outros 790 novos casos no Estado em 2026. Os números são repercutidos pela médica porto-alegrense Telma Giordani, especialista em saúde da pele:
“Quem vive no Rio Grande do Sul conhece os dias frios e nublados em que ninguém pensa em proteção solar. O problema é associarmos radiação ultravioleta à sensação de calor, que são coisas diferentes. O termômetro pode estar baixo e isso não significa que devemos abandonar os cuidados com a pele”.
Inverno
Ainda de acordo com o Instituto, a exposição excessiva à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para o câncer de pele. Os danos provocados pelo excesso de exposição solar também são cumulativos, o que torna importante adotar cuidados desde a infância.
Para a especialista, o inverno pode favorecer uma menor percepção de risco, resultando em descuido por parte da população no que se refere a cuidados preventivos:
“No verão existe um ritual: praia, piscina, chapéu, protetor. No inverno esse ritual desaparece, mas continuamos saindo de casa, caminhando, dirigindo, trabalhando e realizando atividades ao ar livre. O cuidado com a pele não pode depender da estação do ano. Prevenção não significa viver longe do sol, mas estabelecer uma relação mais consciente com a exposição”.
O Inca recomenda evitar a exposição solar sem proteção, sobretudo entre 10h e 16h, bem como combinar diferentes estratégias. Isso inclui buscar sombra, utilizar chapéu, roupas adequadas, óculos escuros e filtro solar nas atividades ao ar-livre.
Observar alterações na pele também contribui para que lesões suspeitas sejam investigadas mais cedo. Feridas que não cicatrizam em até quatro semanas e manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram estão entre os principais sintomas de câncer de pele não-melanoma.
Mudanças em pintas e sinais também merecem avaliação. “A pessoa não precisa viver procurando a doença no espelho. O que se precisa é estimular o autoconhecimento. Você conhece a sua pele e percebe quando algo mudou. Uma pinta que se transforma, uma lesão diferente ou uma ferida que insiste em não cicatrizar são motivos para procurar avaliação médica”.
Fonte O Sul