Municípios se reúnem para traçar estratégias contra a dengue diante de mudanças climáticas
Nesta semana foi realizado o Encontro Estadual de Arboviroses – epidemiologia, diagnóstico e manejo clínico, no auditório do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), em Porto Alegre. O evento foi promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (SES) e do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs).
O evento reuniu profissionais de vigilância e assistência de municípios e Coordenadorias Regionais de Saúde e todo o Rio Grande do Sul para qualificar as ações de prevenção, diagnóstico e manejo clínico frente ao cenário de mudanças climáticas e eventos extremos.
Na abertura, realizada na quarta-feira (23/9), a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Cevs, Roberta Vanacor, apresentou o panorama epidemiológico da dengue no Estado. Segundo ela, 2022 representou um marco para a vigilância estadual, registrando o primeiro grande alerta com 66 óbitos e forte expansão territorial da transmissão.
Em 2023, houve uma leve redução nos casos, contabilizando 54 óbitos, mas acompanhada pela ampliação da circulação viral e da infestação do mosquito Aedes aegypti. No entanto, o cenário sofreu uma ruptura drástica em 2024, acumulando mais de 200 mil casos, 281 óbitos e transmissão consolidada em praticamente todo o território gaúcho.
Já em 2025, o cenário apresentou redução, mas manteve a transmissão sustentada e a consolidação das estratégias de resposta. Para o ano de 2026, até o momento, foram registrados três óbitos. Apesar da queda expressiva nos números, o sinal de alerta permanece ativado.
“A vigilância epidemiológica vai muito além de contar casos. Ela contempla prever mudanças de cenário, propor ações assertivas e sensibilizar gestores para a percepção de risco, em um trabalho articulado com a assistência”, afirmou Roberta.
De acordo com a especialista, diante de um ambiente climático cada vez mais variável e com o vetor amplamente distribuído, o vírus continua circulando por todo o Estado, tornando indispensável a percepção constante de risco, mesmo nos períodos de baixa transmissão.
“Não tem como prever a magnitude do que vai acontecer. A mudança climática veio para ficar e, por isso, a vigilância deve estar preparada e em comunicação permanente com os gestores. É fundamental a articulação entre assistência, vigilância epidemiológica e vigilância ambiental. O painel de casos deve ser usado como ferramenta de apoio à gestão”, reforçou.
Conforme o Cevs, a Secretaria da Saúde atuou nas notificações, no monitoramento de indicadores, na estratificação de risco, na análise territorial e na integração das informações. “Dengue requer resposta intersetorial e responsabilidade social para controle da transmissão, começando na identificação de sintomas nas Unidades Básicas de Saúde e se estendendo por todo o território”, completou a gestora.
Sobre o evento
Promovido pela Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE/Cevs/SES) com o apoio do Cremers, o encontro debateu fluxos laboratoriais, estratégias de vacinação, manejo clínico da dengue, síndrome congênita associada ao Zika vírus e os impactos diretos das mudanças climáticas no controle das arboviroses.
A programação também abriu espaço para a troca de experiências exitosas entre os municípios, selecionadas por uma comissão independente, com destaque para os trabalhos: “Dengue em foco: informação e geoprocessamento na vigilância em saúde”, de Caxias do Sul; “O uso do teatro de fantoches e da contação de histórias como recurso pedagógico na prevenção de arboviroses”, de Cachoeira do Sul; e “O mapeamento do território como ferramenta fundamental para a execução do trabalho”, de Serafina Corrêa.