Prefeitura de Cachoeira participa da consolidação dos dados da safra 2025/26 no IBGE
Representantes da Prefeitura de Cachoeira do Sul participaram, na manhã desta terça-feira, da reunião técnica promovida pelo IBGE para consolidar os números finais da safra de verão 2025/26 e atualizar as estimativas da safra de inverno 2026 no município. O encontro reuniu ainda técnicos do Irga, Emater/RS-Ascar e Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Pelo Município participaram o chefe de Gabinete, Cleiton Santos, o secretário adjunto de Desenvolvimento Rural, Cristiano Lima, e o engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR), André Stolaruck.
Embora parte das lavouras tenha sido prejudicada pela estiagem — situação que levou Cachoeira do Sul a decretar estado de emergência, reconhecido pelos governos estadual e federal — os resultados da safra de verão foram considerados positivos. A área colhida de arroz totalizou 24.288 hectares, 7,8% abaixo da estimativa inicial, mas a produtividade surpreendeu, passando de 8.000 para 8.695 quilos por hectare, um avanço de 8,6%. A radiação solar e a boa reserva de água, em que pese a barragem do Capané e alguns arroios terem ficado abaixo do nível desejado nas duas semanas finais da irrigação das lavouras mais atrasadas, foram fundamentais para este resultado.
Na soja, principal cultura do município, foram consolidados 101.136 hectares cultivados, sendo 97.797 hectares em sistema de sequeiro e 3.339 hectares irrigados. Enquanto as áreas irrigadas alcançaram produtividade de 3 mil quilos por hectare (50 sacas), as lavouras de sequeiro registraram média de 2.280 kg/ha (38 sacas), reflexo da estiagem que atingiu principalmente a região Sul e Oeste do município. Em contrapartida, propriedades localizadas nos distritos de Ferreira, Três Vendas e Bosque obtiveram produtividades superiores, com algumas áreas superando a 70 sacas por hectare graças à melhor distribuição das chuvas.
“A estiagem afetou principalmente os distritos da Cordilheira, Capané e Barro Vermelho, reduzindo a média municipal”, destacou o chefe de Gabinete, Cleiton Santos. O milho ocupou 8.930 hectares entre as áreas dedicadas ao grão e a silagem, em áreas irrigadas e de sequeiro. A seca reduziu em cerca de 3% a produtividade do milho convencional, enquanto as áreas irrigadas mantiveram o desempenho esperado. A silagem também apresentou pequena redução de rendimento nas áreas sem irrigação.
Fruticultura registra os melhores resultados
As maiores altas de produtividade foram registradas na fruticultura. Os olivais em produção dobraram o rendimento em relação ao ano anterior, alcançando média de duas toneladas por hectare, favorecidos pela bienalidade positiva da cultura e pelas condições climáticas.
A nogueira-pecã também apresentou excelente desempenho. Nos cerca de 1.200 hectares cultivados, a produtividade média chegou a 1.900 quilos por hectare, muito acima da previsão inicial, acompanhada de valorização do produto de melhor qualidade, comercializado entre R$ 16 e R$ 22 por quilo.
Os citros também tiveram bom desempenho, com aumento médio de aproximadamente 30% na produtividade de limões, laranjas e bergamotas. A mandioca cultivada em 480 hectares alcançou rendimento médio de 25 toneladas por hectare, superando a média histórica de 20 toneladas.
Safra de inverno terá menor área cultivada
As projeções para a safra de inverno apontam um cenário mais conservador. A única cultura com expansão será a canola, cuja área crescerá 6,3%, passando de 2.761 para 2.935 hectares, com expectativa de produtividade de 1.687 kg/ha.
Já o trigo sofrerá forte retração. A área deverá cair 48,2%, passando de 7.947 para 4.115 hectares, embora a produtividade estimada aumente 7%, chegando a 2.445 kg/ha. A aveia terá a maior redução proporcional, com queda de 62,3% da área cultivada, passando de 6.418 para 2.418 hectares, mantendo expectativa de leve aumento de produtividade.
Segundo Santos, a redução da área destinada aos cultivos de inverno resulta da combinação entre custos elevados de produção, preços pouco atrativos, dificuldades de comercialização e da previsão de chuvas acima da média associadas ao fenômeno El Niño. O encontro concluiu que os produtores optaram por reduzir a exposição ao risco climático e econômico. Grande parte das áreas que deixaram de receber trigo e aveia será destinada à formação de pastagens e plantas de cobertura, preparando o solo para as lavouras de soja e milho da próxima safra de verão. Diogo Fortes, coordenador do IBGE local, também anunciou os preparativos para o início das pesquisas do Censo Agropecuário.
A próxima reunião de acompanhamento da safra, coordenada pelo IBGE, está prevista para outubro.
SAFRA DE VERÃO (Final)
Produto Área Produtividade
Arroz 24.288 8.695
Soja (seq) 97.797 2.280
Soja (irrig) 3.339 3.000
Soja Total 101.136 –
Milho-grão (seq) 5.730 6.208
Milho-grão (irrig) 750 8.000
Milho Total 8.930 –
Fonte: IBGE
ESTIMATIVA DA SAFRA DE INVERNO
Produto Área (ha) Produtividade (kg/ha)
2025 2026 2025 2026
Aveia 6.418 2.418 1.600 1622
Trigo 7.947 4.115 2.285 2.445
Canola 2.761 2.935 1.649 1.687
Fonte: IBGE