Juíza diz que RS vive “pandemia” de violência contra a mulher

O Rio Grande do Sul teve 22.894 medidas protetivas concedidas para mulheres vítimas de violência doméstica do início de 2023 até o dia 13 de fevereiro — uma média de cerca de 508 a cada dia. O número em 44 dias já é maior do que a soma dos dois primeiros meses de 2022, quando foram 19.229 registros — média diária de 325.

A alta já é percebida nos dados consolidados de janeiro: foram 5.373 casos a mais — 15.793 em janeiro de 2023, contra 10.420 no primeiro mês de 2022.

— Essa situação de violência de gênero contra mulher, ou seja, pelo fato de ser mulher, é algo urgente que a gente tenha um enfrentamento direto, porque estamos vivendo, eu posso dizer assim, uma pandemia — disse a juíza do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Porto Alegre, Madgéli Machado, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Segundo Madgéli Machado, apesar de a concessão de medidas protetivas ser positiva, o número elevado expõe a gravidade da situação da violência contra as mulheres no âmbito doméstico e familiar. A juíza avalia que, mesmo com a alta, o montante ainda não contempla todos os casos.

— Nós ainda temos um número muito grande de situações que infelizmente não chegam a tempo. Ou não chegam até a delegacia de polícia, ou até o Judiciário com o pedido de medidas protetivas — relatou.

A mulher é protegida pela Lei Maria da Penha contra quaisquer agressões que sofra no contexto familiar, mas, em geral, os agressores são companheiros ou ex-companheiros.

— O que demonstra muito bem aquela marca da violência de gênero contra a mulher que é o poder do homem em relação à mulher: “Se tu não vai ser minha, tu não vai ser de ninguém. Vou te infernizar para o resto da vida, vou te matar, matar tua família, os teus filhos” — relata Madgéli Machado.

 

Fonte Gaúcha/ZH

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