Baixa natalidade e migração fazem com que Municípios Gaúchos percam população

As mais recentes estimativas populacionais calculadas pelo IBGE, divulgadas nesta terça-feira, apontam que mais da metade dos municípios gaúchos está encolhendo.

O cálculo revela que 51% das 497 cidades do Estado perderam habitantes ao longo do último ano — principalmente em pequenas localidades, mas também em aglomerados urbanos de maior porte em regiões como a Fronteira Oeste. A baixa natalidade e a busca por melhores oportunidades de estudo e trabalho são citadas por especialistas como razões para a intensificação desse fenômeno no Rio Grande do Sul

As estimativas do IBGE são apresentadas todos os anos por determinação legal e servem, entre outras finalidades, para ajustar a distribuição de recursos dos fundos de participação dos municípios e dos Estados. O número de habitantes calculado para 2020, se comparado com as informações do ano passado, indica que 255 dos 497 municípios gaúchos teriam perdido moradores, o equivalente a 51,3%. Esse índice supera o verificado no ano anterior, quando 50,9% das localidades haviam diminuído em relação a 2018.

Doutor em Geografia Humana, professor do Departamento de Geografia da UFRGS e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Paulo Roberto Soares afirma que o estudo confirma tendências demográficas recentes:

— Há vários anos, o Estado já apresenta indicadores diferenciados em relação ao resto do país, como taxa de natalidade mais baixa e maior longevidade, o que nos aproxima mais de padrões de países vizinhos como Argentina e Uruguai.

O especialista observa que é preciso levar em conta que os dados são estimados e não têm o mesmo grau de confiabilidade de um censo demográfico, mas coincidem com outros fenômenos recentes como migrações em busca de melhores oportunidades de estudo ou trabalho.

— O Rio Grande do Sul tem muitas cidades pequenas, com pouco mais de mil habitantes, que não oferecem emprego (no nível necessário). Mas também temos municípios maiores em áreas como a Fronteira Oeste que vêm perdendo população nos últimos anos — analisa Soares.

Santana do Livramento recuou 0,9% desde o ano passado, por exemplo, e Alegrete encolheu 0,7%, conforme o IBGE. No outro extremo da tabela, o Litoral Norte segue como a região mais atrativa: dos 10 municípios que mais aumentaram de população em termos proporcionais, sete ficam à beira-mar. Conforme o instituto, como um todo o Estado cresceu 0,4% — metade da média nacional — e chegou a 11.422.973 habitantes. Porto Alegre aumentou 0,3%, e alcançou 1.488.252 moradores.

A assessoria de comunicação do IBGE, por meio de nota, informa que as estimativas “são baseadas, principalmente, nas projeções de população para os Estados divulgadas em 2018 e na tendência populacional observada nos censos de 2000 e 2010 para cada município. No Brasil e na maioria dos países, a contagem da população só acontece de 10 em 10 anos, nos censos demográficos. O próximo censo do IBGE está previsto para 2021, e seus resultados irão dirimir eventuais dúvidas sobre a população de cada cidade brasileira.”

O órgão federal sustenta, ainda, “que muitos eleitores mantém seus registros eleitorais nas cidades em que nasceram mesmo depois de terem ido morar em outro lugar, e que os registros de saúde de alguns municípios podem contabilizar moradores de cidades vizinhas que tenham procurado atendimento médico na rede de saúde local”.

Cidades que mais cresceram no RS

  • Campo Bom    4,1%
  • Xangri-lá         2,2%
  • Arroio do Sal   2,1%
  • Balneário Pinhal         2,1%
  • Imbé    2,1%
  • Nova Santa Rita          2,1%
  • Cidreira          2%
  • Capão da Canoa         1,9%
  • Tapejara         1,8%
  • Tramandaí      1,8%

Cidades que mais encolheram no RS

  • Engenho Velho           -5%
  • Porto Vera Cruz          -3,8%
  • Rio dos Índios -3,3%
  • União da Serra           -3,1%
  • Alpestre          -3%
  • Itatiba do Sul  -2,8%
  • Alegria            -2,6%
  • Campo Novo   -2,4%
  • Bom Progresso           -2,2%
  • Pirapó -2,2%

Fonte Gaúcha/ZH e IBGE

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