12 de junho: dia de combater o trabalho infantil

Entre 2014 e 2018, 17 crianças e adolescentes de cinco a 17 anos morreram em decorrência do trabalho no RS. Segundo a assistente social Andréia Gnoatto, da Divisão de Vigilância em Saúde do Trabalhador (DVST) da Secretaria da Saúde (SES), são meninas e meninos expostos a riscos à vida e ao seu desenvolvimento por meio do trabalho precoce e proibido. Os adolescentes estão entre os que mais sofrem acidentes.

Nesses quatro anos, foram registrados no Estado 2.851 acidentes e doenças com crianças e adolescentes. Desses, 2. 686 (97,7%) foram causados por acidentes de trabalho. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos e Notificações (Sinan), do Ministério da Saúde e do Sistema de Informações em Saúde do Trabalhador no RS.

A maioria dos registros ocorreu na zona urbana (75,5%) e englobam desde o trabalho infantil doméstico até setores informais da economia. “Não é raro encontrarmos na venda de produtos, como ambulantes, nos mercados de bairros, nas sinaleiras, em borracharias ou na construção civil”, aponta Andréia. “São acidentes e mortes que não poderiam ocorrer. O trabalho infantil afasta as crianças da escola e provoca danos à saúde, por vezes, irreversíveis.”

Andréia ainda destaca que crianças são seres em desenvolvimento e a exposição aos riscos presentes nas atividades produtivas pode, ao longo da vida, trazer prejuízos emocionais e comportamentais. “E os danos à saúde são inúmeros, como ferimentos, traumatismos, queimaduras, envelhecimento precoce, doenças respiratórias, lesões por esforços repetitivos, entre outros.”

Para dar visibilidade a essa situação, 12 de junho foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. No Estado, a data será marcada com várias atividades, de seminários municipais a eventos na Assembleia Legislativa e no Tribunal de Justiça.

Situação nacional

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016, 1,8 milhão de crianças e adolescentes de cinco a 17 anos trabalhavam no Brasil.

Mais da metade (54,4%) estavam em situação de trabalho infantil – ou porque tinham de cinco a 13 anos ou porque não tinham registro em carteira, como exigido pela legislação. Apesar dos esforços para a erradicação nas duas últimas décadas, o Brasil ainda tem 710 mil crianças de 10 a 13 anos e um total de 3,4 milhões de 10 a 17 anos nesta situação.

A legislação brasileira determina que o trabalho é permitido a partir dos 16 anos, desde que não seja realizado em condições insalubres, perigosas ou noturnas. Nesses casos, há proibição até os 18 anos. A partir dos 14 anos, é permitida a aprendizagem profissional, por meio de contrato especial de trabalho (condição de aprendiz), com o objetivo de oferecer ao jovem formação profissional compatível com a instrução escolar.

“É importante questionar o senso comum que permeia esta questão. Nossa sociedade é marcada pelo valor do trabalho como dignificante e como proteção da marginalização e das drogas, além de proporcionar acesso a bens. Mas lugar de criança é na escola, na família, longe da exploração e dos acidentes”, conclui Andréia.

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