Universidades Federais temem efeitos de cortes do MEC já no segundo semestre de 2019

Sob a ameaça de mais um baque nas finanças, as universidades federais devem entrar o ano que vem com dívidas de 2019 a pagar, alertam especialistas do setor. O Ministério da Educação, que havia anunciado inicialmente corte de 30% para três instituições do país, divulgou, horas depois, a extensão da tesoura aos câmpus de todo o país, sob justificativa da crise.

Diante da sinalização, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) tem reunião marcada em Brasília no próximo dia 16.

As finanças das instituições federais têm sangrado pelo menos desde 2014, com sucessivos cortes. As verbas de custeio, para despesas que vão do pagamento de contas ao gasto com terceirizados, estão congeladas em valores nominais e ainda tiveram redução equivalente ao percentual da inflação do ano. Nos últimos quatro anos, todas as instituições tiveram de se mexer para garantir o funcionamento cortando despesas, como gastos com vigilância e limpeza.

Já os recursos de capital, referentes a obras, equipamentos e investimentos, sofreram um golpe bem maior, com orte em torno de 70% no período. “Um corte abrupto de 30% no orçamento gera mais transtorno e dificuldade, e administrar isso faltando oito meses para acabar o ano é ainda mais complicado. Pode gerar acúmulo de dívidas nas universidades frente às suas contratadas, nos serviços de água, energia, apoio, limpeza e vigilância, por exemplo. Sem conseguir fazer ajustes, a dívida entra em 2020”, alerta o presidente da Andifes, Reinaldo Centoducatte, reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Por isso, a ordem agora é sentar e discutir. Já houve reunião com a Secretaria de Ensino Superior. Agora, a esperança é o encontro com o ministro Abraham Weintraub, para mostrar a situação financeira das universidades. “Entendemos que há uma crise no país e que essas são medidas e orientações da área econômica. Mas tivemos contingenciamentos em todos os governos passados”, diz. No ano passado, os recursos de custeio foram integralmente liberados para pagamento de dívidas nas universidades. Já os de capital tiveram 10% bloqueados. Em 2019, apenas 40% das verbas de custeio e 10% das de capital chegaram às instituições.

A situação vem se agravando ano após ano. Levantamento da Andifes mostra que o orçamento de capital das federais, que teve seu pico em 2012, com pouco mais de R$ 5 milhões, chegou a R$ 3,2 milhões em 2014 e despencou para R$ 1,4 milhão em 2017.

Preocupa a motivação dos cortes. Na terça-feira, o ministro da Educação anunciou que puniria com 30% de bloqueio três universidades que promovem, segundo ele, “balbúrdia”, e que estudava ainda a situação da Universidade Federal de Juiz de Fora, cujo conselho se reúne hoje para discutir a situação. “Mudaram a forma e a balbúrdia era a justificativa. Agora, o corte é generalizado. Se antes, cortando em três resolvia o problema, por que cortar em todas?”, questiona o presidente da Andifes.

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