Casamentos duram cada vez menos no Brasil, aponta IBGE

O tempo médio de duração de um casamento no Brasil, até a formalização do divórcio, caiu para 13,8 anos em 2024. O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na pesquisa Estatísticas do Registro Civil. Em 2010, esse tempo médio era de 16 anos e, em 2014, já havia recuado para 14,7 anos.

A idade média das pessoas que se divorciam também mudou. Em 2024, os homens se separaram, em média, aos 44,5 anos, enquanto as mulheres se divorciaram aos 41,6 anos. Segundo o levantamento, a redução no tempo de duração das uniões reflete transformações comportamentais, culturais e socioeconômicas na forma como os brasileiros constroem e mantêm seus relacionamentos.

Parte dessa mudança também está ligada à legislação. Desde 2007, casais sem filhos menores ou incapazes podem se divorciar diretamente em cartório, por escritura pública, sem necessidade de processo judicial, tornando o procedimento mais rápido e menos burocrático. O IBGE também identificou uma mudança importante no perfil de quem volta a casar: em 2002, apenas 12,8% dos novos casamentos envolviam pelo menos um cônjuge divorciado ou viúvo. Em 2022, esse percentual chegou a 30,4%, indicando que o fim de uma união deixou de representar o fim da vida afetiva.

“A queda no tempo de casamento não significa necessariamente fracasso amoroso. Como ponto de análise, o que se observa é uma mudança na forma como as pessoas avaliam quando vale a pena continuar em uma relação”, afirma Wantuir Rock, psicólogo e sexólogo especializado em relacionamentos. “A independência financeira, sobretudo das mulheres, mudou o cálculo: hoje é mais viável sair de uma relação insatisfatória do que era há duas décadas.”

A leitura encontra respaldo no livro Para ser feliz no amor: os vínculos afetivos hoje (MG Editores, 2016), do psiquiatra Flávio Gikovate. Segundo o autor, a qualidade de vida de quem vive sozinho passou a estabelecer um novo parâmetro para os relacionamentos, fazendo com que as pessoas permaneçam casadas apenas quando a convivência proporciona bem-estar superior ao de viverem sozinhas.

Para Rock, outro fator importante é a mudança geracional. “Existe uma expectativa mais realista sobre o casamento hoje. Como ponto de análise, muitos casais não veem mais a separação como derrota, mas como parte natural de um processo de autoconhecimento que pode ocorrer mais de uma vez ao longo da vida”, explica.

Em 2023, o Brasil registrou 440,8 mil divórcios, um crescimento de 4,9% em relação ao ano anterior. Para cada 100 casamentos entre pessoas de sexos diferentes, ocorreram aproximadamente 47,4 divórcios.

O tempo médio de 13,8 anos até a separação representa o menor índice já registrado na série histórica do IBGE, que acompanha dados de casamentos desde 1974 e de divórcios desde 1984.

 

 

 

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