Estado diz que investiu R$ 3,8 bilhões em reconstrução de estradas, pontes e hidrovias após enchente de 2024
Dois anos após a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o cenário da infraestrutura logística estadual é de reconstrução consolidada e avanços estruturais. Com investimento de R$ 3,8 bilhões, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Logística e Transportes (Selt), promove uma ampla recuperação de estradas, pontes e hidrovias, aliada a projetos que ampliam a resiliência diante de eventos meteorológicos extremos.
Esse aporte integra o Plano Rio Grande, que já soma R$ 14 bilhões entre valores pagos, empenhados e aprovados por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Liderado pelo governador Eduardo Leite, o Plano Rio Grande é um programa de Estado criado para proteger a população, reconstruir o Rio Grande do Sul e torná-lo ainda mais forte e resiliente, preparado para o futuro.
Para além de projetos voltados à reconstrução de estruturas e lugares atingidos, o programa resgata vidas e trabalha na construção do futuro do Estado. Hoje, o Rio Grande do Sul conta com um conjunto estruturado de ações que ampliam sua capacidade de resposta e prevenção, tornando-o mais resiliente. Essa transformação não se limita à gestão de riscos climáticos, mas fortalece a economia, a infraestrutura e a capacidade institucional, preparando o Estado para enfrentar desafios e sustentar seu desenvolvimento nos próximos anos. O Rio Grande do Sul e o Brasil nunca tiveram, até aqui, um plano estruturado com essa finalidade.
Plano Rio Grande fortalece infraestrutura e escoamento da produção
A catástrofe de 2024 danificou mais de 8 mil quilômetros de rodovias estaduais e destruiu ao menos dez pontes, além de comprometer a malha hidroviária. Em resposta, o governo estadual iniciou ainda durante a emergência um conjunto de ações para restabelecer a mobilidade. Foram aplicados mais de R$ 400 milhões em medidas imediatas, como a desobstrução de vias, a recomposição de aterros, a contenção de encostas e a recuperação do pavimento. Essas ações foram decisivas para restabelecer a circulação em pontos críticos e garantir a retomada econômica, especialmente no escoamento da produção. Atualmente, 95% das estradas afetadas já estão liberadas para tráfego.

Em coletiva de imprensa, realizada na sexta-feira (24/4), Gabriel e e Leite abordaram as ações realizadas via Plano Rio Grande – Foto: Vitor Rosa/Secom
No médio e longo prazos, do total investido, R$ 3,1 bilhões estão destinados à reconstrução de estradas e pontes, enquanto R$ 731 milhões são aplicados na recuperação da navegabilidade das hidrovias.
As intervenções na malha rodoviária abrangem 48 obras sob gestão do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e outras 11 sob responsabilidade da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). No segmento hidroviário, os serviços incluem a dragagem de 22 canais, sob coordenação da Portos RS.
Para o titular da Selt, Clóvis Magalhães, o volume de investimentos e a organização das ações marcam um avanço no planejamento da infraestrutura estadual. “O Plano Rio Grande nos permite atuar de forma organizada, combinando reconstrução com projetos estruturantes. Estamos qualificando a logística do Estado com intervenções que aumentam a capacidade da malha e preparam o Rio Grande do Sul para novos ciclos de desenvolvimento”, afirma.
Reconstrução e resiliência da malha rodoviária
Entre os principais exemplos, a nova ponte da ERS-130, entre Lajeado e Arroio do Meio, tornou-se símbolo da reconstrução. Entregue em tempo recorde, em sete meses, e com investimento de R$ 14 milhões, a estrutura é cinco metros mais alta e 51 metros mais extensa do que a anterior, ampliando a segurança e a capacidade de resposta a futuras cheias.

“Ponte não é só concreto, aço e asfalto. Ponte é conexão entre pessoas, entre vidas, entre comunidades”, declarou Leite – Foto: Jürgen Mayrhofer/Secom
O diretor-presidente da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), Luís Fernando Vanacôr, destaca a importância da obra para a região. “Essa ponte representa um avanço importante para o Vale do Taquari. Ao longo deste ano, demonstrou, na prática, seu impacto na mobilidade, na segurança e na retomada das atividades econômicas. É uma estrutura pensada para o presente e para o futuro, garantindo mais qualidade e confiabilidade para quem utiliza a rodovia diariamente”, afirma.
Outro destaque é a ERS-348, que conta com quatro lotes de obras em execução, incluindo dois segmentos de estrada e duas pontes. Entre Agudo e Dona Francisca, um dos pontos mais atingidos pela enchente, a rodovia passa por processo de reestruturação completa, com investimento de R$ 169,7 milhões, voltado à ampliação da durabilidade e à segurança da segurança do tráfego.
Para o diretor-geral do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), Luciano Faustino, trata-se de intervenções de alta complexidade. “As obras da ERS-348 exigem planejamento detalhado e atuação simultânea em diferentes frentes. São soluções técnicas que consideram as características do terreno e buscam garantir maior estabilidade, segurança e vida útil à infraestrutura”, explica.

O projeto foi planejado com foco na durabilidade e na qualidade da via – Foto: Divulgação/Daer
O conjunto de intervenções em andamento se estende a outras regiões do Estado, consolidando a recuperação da malha viária. Na ERS-129, entre Estrela e Roca Sales, são 27,3 quilômetros em reconstrução, com investimento de R$ 55,9 milhões, o que reforça um eixo estratégico no Vale do Taquari. Já na ERS-640, entre Cacequi e Rosário do Sul, a obra abrange 64,2 quilômetros e recebe R$ 98,1 milhões, contribuindo para a melhoria da logística na região da Fronteira Oeste.

Recuperação da ERS-640 é considerada um dos projetos prioritários do Funrigs com previsão de conclusão para 2026 – Foto: Divulgação/Daer
Modernização da Estação Rodoviária de Porto Alegre
O início das obras de modernização da rodoviária de Porto Alegre integra o conjunto de ações voltadas à qualificação da mobilidade no Estado. Em 2024, o terminal permaneceu fechado por mais de um mês, em razão das enchentes, evidenciando a necessidade de uma intervenção abrangente.

“Em 13 meses vamos entregar uma rodoviária completamente remodelada”, disse Leite – Foto: Vitor Rosa/Secom
- Com conclusão prevista para maio de 2027, a obra contempla a reforma completa dos sanitários, a implantação de novos espaços para venda de passagens, a modernização de áreas comerciais, a requalificação das plataformas de embarque e desembarque, além de uma nova fachada, de perfil mais contemporâneo e funcional. O objetivo é oferecer mais segurança, conforto e eficiência aos milhares de passageiros que utilizam diariamente o terminal.
Hidrovias e portos: investimento histórico e retomada da navegação
A reconstrução da infraestrutura logística também avança no modal hidroviário, com investimento de R$ 731 milhões — o maior da história do Estado no setor. Desse total, R$ 691 milhões estão destinados a serviços de batimetria e dragagem em mais de 320 quilômetros de hidrovias interiores e 40 quilômetros de canais na área do Porto de Rio Grande. Outros R$ 40 milhões são aplicados na recuperação da estrutura portuária de Porto Alegre.

Operação garante tráfego seguro de embarcações maiores – Foto: Ascom Portos RS
“O Funrigs tem um papel fundamental no processo de recuperação da nossa infraestrutura após os impactos causados pelas enchentes. Trata-se de um esforço estruturado, que envolve planejamento técnico qualificado, elaboração consistente de projetos e a execução de um volume expressivo de obras em todo o complexo portuário”, destaca o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger.
No total, 22 canais estão em processo de dragagem, com a retirada de mais de 20 milhões de metros cúbicos de sedimentos, permitindo restabelecer a navegabilidade.
As intervenções já apresentam resultados concretos. As dragagens dos canais de Itapuã, Pedras Brancas, Leitão, Furadinho e São Gonçalo já foram concluídas. Nos demais, os trabalhos estão em andamento ou em fase de contratação. As ações também incluem melhorias na sinalização náutica, ampliando a segurança da navegação.
Um dos principais marcos dessa retomada é a reabertura do Porto de Porto Alegre, que voltou a receber embarcações de longo curso e passou a operar com navegação noturna – algo que não ocorria há 42 anos.

Investimentos em dragagem e sinalização garantem segurança da operação – Foto: Ascom Portos RS
Um novo ciclo para a infraestrutura gaúcha
Dois anos após a maior tragédia meteorológica de sua história, o Rio Grande do Sul recupera sua infraestrutura logística e avança para um novo patamar de desenvolvimento. As obras em andamento e já concluídas restabelecem conexões estratégicas, impulsionam a economia e contribuem para a melhoria da qualidade de vida da população.
“O que estamos construindo agora é uma infraestrutura mais preparada para eventos extremos, com planejamento, engenharia qualificada e integração entre os modais. Esse conjunto de investimentos deixa um legado permanente para o crescimento do Estado”, destaca Magalhães.
Mais do que reconstruir o que foi perdido, o Estado investe em soluções duradouras, capazes de enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. O resultado é uma infraestrutura mais moderna, segura e preparada para sustentar o crescimento do Rio Grande do Sul nos próximos anos.