Desinteresse pela Copa do Mundo bate recorde e alcança 54% dos brasileiros, aponta pesquisa
Esse é o maior percentual da série histórica, iniciada em 1994, ultrapassando em um ponto percentual o recorde anterior, registrado antes da Copa de 2018, na Rússia. Às vésperas da edição no Qatar, em 2022, 51% demonstravam pouco interesse no torneio. O desinteresse é consideravelmente maior entre as mulheres (62%) em comparação com os homens (46%).
Também ao Datafolha, 31% dos entrevistados disseram que não pretendem assistir aos jogos do Mundial. Segundo torcedores ouvidos, o desempenho da Seleção contribui para a empolgação em baixa. O time de Carlo Ancelotti encerrou as Eliminatórias com uma derrota para a Bolívia e em quinto na tabela de classificação, sua pior colocação na história. Em amistosos, também acumulou tropeços contra Japão, Tunísia e França.
“Confesso que nunca fui muito do futebol. Mesmo assim, Copa sempre teve um clima diferente, com gente reunida, todos com a mesma camisa, e aquele assunto que acabava conectando todo mundo de forma espontânea”, afirmou o empresário Denis Seiji Alvarenga, 43.
“Mas hoje sinto que isso deu uma esfriada. Não sei se é só pela seleção, que já não passa a mesma confiança de antes, ou se é algo mais geral”, acrescentou.
Ele disse que mudanças de rotina também influenciam para que o “clima de Copa” não seja o mesmo de outros tempos.
“Acabou ficando algo mais pontual, de assistir a um jogo ou outro, sem aquela expectativa toda de antes.”
O empresário Valdir Canoso Portasio, 67, disse que sua falta de interesse tem relação com o clima de oba-oba que costuma tomar conta durante o torneio, algo que considera excessivamente artificial.
“Meu desinteresse é consciente porque não me agrada fazer parte desse ufanismo nacionalista, desse pachequismo”, disse ele. “Acabo sendo impactado de alguma maneira porque o país se transforma, mas não paro na frente da TV para assistir aos jogos e torcer.”
O fato de os Estados Unidos serem uma das sedes —em meio a uma política anti-imigratória constestada do governo americano— também foi citado por Portasio. “Se visse um comunicado da CBF dizendo que boicotaria a Copa por conta das atitudes do Donald Trump, era capaz de virar o torcedor número 1”, afirmou. “A Copa nos Estados Unidos é um fator de repulsa.”