UFSM integra iniciativa para impulsionar a olivicultura no Rio Grande do Sul
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) assinou na sexta-feira (17), junto à UFCSPA e à UFPel, um protocolo de intenções para a criação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul. A iniciativa é uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), as três universidades federais e as Secretarias Estaduais de Inovação e Agricultura do RS, e tem como objetivo fortalecer a cadeia da olivicultura no Estado.
A assinatura pela UFSM ficou a cargo do vice-reitor, Tiago Marchesan, em cerimônia durante a programação da 14ª Abertura da Colheita de Oliva do Rio Grande do Sul e Feira de Negócios, realizada na sede da Azeite Milonga, na cidade de Triunfo (RS).
Produção e consumo no Brasil
Atualmente, o país figura entre os maiores importadores de azeite de oliva do mundo. Em 2023, foram importadas cerca de 77 mil toneladas do produto, enquanto a produção nacional ficou abaixo de 7 mil toneladas. Nesse cenário, o Rio Grande do Sul se destaca como principal polo produtivo, concentrando aproximadamente 75% da produção de azeitonas no país.
Apesar da liderança, o setor ainda enfrenta limitações técnicas e científicas. Entre os principais desafios estão a baixa produtividade média dos olivais, a adaptação de variedades ao clima e ao solo locais e a necessidade de maior integração entre pesquisa, manejo agrícola e controle de qualidade do azeite.
Centro de Referência
É nesse contexto que surge o Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul, com a proposta de aproximar a produção científica das demandas do campo. A iniciativa busca transformar conhecimento gerado nas universidades em soluções práticas, com impacto direto na produtividade e na qualidade da produção.
A estrutura do Centro está baseada na atuação complementar de instituições de ensino superior. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) atuará na área agronômica, com foco na identificação das melhores variedades e práticas de cultivo. A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) será responsável pelas análises e pelo controle de qualidade do produto final. Já a UFSM contribuirá com pesquisas voltadas ao manejo e à qualidade do solo, buscando aumentar a produtividade sem comprometer as características específicas que influenciam o perfil do azeite. O trabalho será desenvolvido pelo Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces), ligado ao Departamento de Solos do Centro de Ciências Rurais (CCR).
A iniciativa também conta com a participação do setor produtivo, por meio de sua entidade representativa, a Ibraoliva, e com o apoio institucional do governo do Estado, configurando uma articulação entre academia, produtores e poder público.
Entre os objetivos do centro estão o desenvolvimento de pesquisas aplicadas, a formação de profissionais especializados e a promoção de práticas sustentáveis, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. A proposta inclui ainda o fortalecimento da qualidade do azeite produzido no estado, com base científica para certificações e reconhecimento no mercado.
A expectativa é que a integração entre ciência e produção contribua para o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade e a ampliação da competitividade do azeite gaúcho. Além disso, a iniciativa pode impulsionar a geração de novos negócios, a formação de mão de obra qualificada e o aproveitamento de subprodutos, promovendo inovação e sustentabilidade no setor.