Alta do diesel leva empresas de ônibus no RS a reduzirem horários e solicitar reajuste de tarifas
A alta no preço do diesel já tem levado empresas de ônibus intermunicipais a reduzirem horários e solicitarem aumento da passagem em municípios do Rio Grande do Sul. A informação foi confirmada pela Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio Grande do Sul (Fetergs). A escassez e as subidas de preços têm aumentado nos últimos dias devido ao aumento do valor internacional do petróleo, em meio à guerra no Oriente Médio.
O presidente da Fetergs, Sergio Tadeu Pereira, afirmou que as empresas que estão tendo seus horários reduzidos como precaução, e estão tomando a decisão atendendo aos Municípios. Atualmente, cerca de 20% do custo operacional é por conta do diesel. O presidente argumenta que, se o valor do combustível aumenta, a empresa precisa ter recomposição. “São poucos casos, e é preciso considerar que é melhor reduzir alguns horários de pouquíssima frequência, e manter as linhas ativas, do que ter um paralização geral se faltar o diesel”, diz.
Pereira também demonstra preocupação com a diminuição de passageiros, o que já vem ocorrendo há um tempo. “É aquela situação difícil de resolver: se aumenta o diesel, aumenta o custo do serviço, e isso tem que ser buscado de alguma forma. O subsídio pelos municípios é a solução mais próxima e possível para manter os passageiros”, afirma.
Sindicatos e associações seguem monitorando o abastecimento e as oscilações, analisando os impactos dos custos. A Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis do RS, informou em nota, que o abastecimento de diesel segue ocorrendo de forma racionada, conforme relatos recebidos por de revendedores das respectivas distribuidoras, e que a Petrobras não está liberando a quantidade de diesel solicitada pelas companhias. As distribuidoras precisam adquirir produto de refinarias privadas instaladas no país ou recorrer à importação de combustível já refinado, o que tem ocorrido com preços maiores ao de costume, diante da guerra.
A entidade lembra também que, nos leilões de combustíveis adicionais realizados na semana passada, a tabela de preços da Petrobras não mudou. No entanto, o valor de venda que a petrolífera realizou foi bastante acima da tabela, sendo registrada a prática de ágio, com valores entre R$ 1,80 e R$ 2,00 por litro. Já no caso da gasolina, o sindicato informou que foi verificado aumento considerado “desnecessário” da procura pelo combustível, o que tem gerado filas, especialmente em alguns postos do interior do Estado.
A Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP POA) afirmou que, em comparação com o início do mês, houve um aumento de aproximadamente 10% no valor do diesel. No entanto, o abastecimento continua normal. Ainda não há previsão de alteração em linhas ou horários no transporte de Porto Alegre.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs) também informou que segue acompanhando as possíveis consequências do fechamento do Estreito de Ormuz para o mercado internacional de combustíveis, especialmente no que se refere ao diesel, principal insumo do transporte rodoviário de cargas.
Fonte: Correio do Povo