Boletim aponta perspectiva de crescimento do RS acima da média nacional em 2026

O Rio Grande do Sul tende a registrar maior crescimento econômico em 2026. A projeção consta no Boletim de Conjuntura de janeiro de 2026 e está associada à recuperação da produção agrícola após as perdas causadas pela estiagem. O prognóstico mais recente do IBGE indica para este ano, uma expansão de 55,4% na safra de soja e de 19,9% na produção de milho, movimento que tende a elevar o Produto Interno Bruto (PIB) estadual no próximo ano.

Segundo o Boletim, a aceleração do crescimento gaúcho segue um padrão histórico observado após períodos de quebra de safra. Em contextos de recuperação da agropecuária, o desempenho do setor primário atua como vetor de expansão da economia estadual, posicionando o Rio Grande do Sul acima da média nacional. Em 2025, até setembro, a agropecuária acumulou retração de 10,8%, o que reduziu o ritmo de crescimento do Estado naquele ano.

 

O cenário projetado para o Rio Grande do Sul contrasta com a tendência de desaceleração prevista para a economia brasileira. Para 2026, Instituições e organismos de análise econômica estimam um crescimento mais moderado do PIB nacional — em torno de 1,6%, segundo o IPEA e o FMI, e de 1,8%, conforme o Relatório Focus.

A economia gaúcha entra nesse contexto com indicadores recentes de recuperação. No terceiro trimestre de 2025, o PIB do Estado cresceu 4,5% em relação ao trimestre anterior, e 2,5% em relação ao mesmo período de 2024. Com esse resultado, o volume do Produto Interno Bruto (PIB) estadual praticamente retornou ao maior nível da série histórica, situando-se 7,6% acima do patamar pré-pandemia. No mesmo período, a taxa de desocupação recuou para 4,1%, o menor valor desde o início da série da PNAD Contínua, em 2012, indicando um mercado de trabalho com elevada ocupação.

Avanço no emprego formal

Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, o rendimento médio real habitual e a massa real de rendimentos cresceram 5,4% e 5,6%, respectivamente. No mercado formal, o Estado gerou 54.026 novos postos de trabalho nos 12 meses encerrados em novembro, o que representa um avanço de 1,9% em relação ao estoque de novembro de 2024. Do ponto de vista regional, houve saldos positivos de emprego em todas as 28 regiões dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes).

As informações constam na edição de janeiro de 2026 do Boletim de Conjuntura, produzido pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), e divulgado nesta terça-feira (27/1).

Aceleração na economia do RS

Indicadores conjunturais mais recentes apontam aceleração da atividade econômica no fim do ano. No trimestre móvel encerrado em novembro, em comparação com os três meses anteriores, a indústria de transformação cresceu 4,6%, o comércio avançou 3,5% e os serviços, 3,0%. Em novembro, o volume de vendas do comércio ficou 6,8% acima do nível observado antes das enchentes de 2024. No acumulado de 2025 até novembro, a indústria de transformação registrou crescimento de 2,2%, com destaque para os segmentos de máquinas e equipamentos e de produtos alimentícios.

As exportações somaram US$ 21,515 bilhões em 2025, valor 1,9% inferior ao registrado no ano anterior. Esse desempenho refletiu principalmente a queda de 15,4% nas vendas de produtos agropecuários, enquanto as exportações de produtos industriais avançaram 2,6%. Em termos de destino, destacou-se o crescimento de 36,4% das exportações para a Argentina.

A arrecadação de ICMS totalizou R$ 54,582 bilhões em 2025, com crescimento real de 1,0%. Esse desempenho foi favorecido pela entrada de recursos vinculados aos programas de renegociação de tributos em atraso — Refaz Reconstrução I e II — que somaram cerca de R$ 2 bilhões ao longo do ano.

Conjuntura global e cenário nacional

No Brasil, o PIB cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, alcançando novo pico da série histórica, com variações positivas na indústria (0,8%), na agropecuária (0,4%) e nos serviços (0,1%). A inflação, medida pelo IPCA, encerrou o ano em 4,26%, dentro do intervalo da meta, enquanto a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano.

No mercado de trabalho, dados do IBGE indicam que o número de pessoas ocupadas atingiu 103,019 milhões no trimestre móvel encerrado em novembro de 2025, com aumento de 0,6% em relação ao trimestre anterior e de 1,1% na comparação com o mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, o rendimento médio mensal de todos os trabalhos no Brasil alcançou R$ 3.574, registrando crescimento de 1,8% na margem e de 4,5% em termos interanuais.

O ambiente externo segue marcado por incertezas tarifárias e geopolíticas, que exercem efeitos moderadores sobre o comércio de bens e sobre as projeções de crescimento das economias. Segundo o FMI, a economia mundial deverá crescer 3,3% em 2026, mesma taxa observada em 2025.