Primeira usina de etanol em grande escala no Rio Grande do Sul vai suprir 23% da demanda gaúcha

O Governo do Rio Grande do Sul assinou na manhã desta segunda-feira, no Palácio Piratini, protocolo de intenções com a empresa BSBIOS para a construção da primeira usina de etanol em grande escala no Estado. O empreendimento da BSBIOS será sediado em Passo Fundo com capacidade instalada para processamento de 1,5 mil toneladas de cereais por dia (que resultarão em  220 milhões de litros de etanol) e 155 milhões de toneladas de farelos ao ano. Para ter volume de grãos para processar, o ECB Group, proprietário da BSBIOS, presidido por Erasmo Battistella, aposta no incremento dos cultivos de inverno como o trigo e o triticale, a partir de variedades específicas. No total,  a nova usina deve processar 260 mil toneladas de cereais por ano, entre milho, trigo, triticale, arroz, sorgo e outros.

Battistella explica que, atualmente, o Rio Grande do Sul importa 99% de sua demanda de etanol, e que, com a nova usina, quando estiver operando a pleno, a partir de 2027, conseguirá suprir 23% dessa necessidade. O investimento, segundo o empresário, será de R$ 316 milhões na primeira fase de implantação da unidade, a qual começará a operar em 2024. O protocolo assinado com o governo estabelece tratamento tributário de ICMS diferenciado para a aquisição de máquinas e equipamentos. “A iniciativa vai representar um incremento na oferta de farelo para as cadeias produtivas de proteínas animais, além de promover investimento em desenvolvimento de tecnologia genética para produção de trigo específico para produção de etanol e de ser uma oportunidade viável de renda para o agricultor com a cultura de cereais de inverno”, diz.

Parceira na pesquisa que viabiliza as metas da usina, a Biotrigo Genética vem trabalhando em cultivares de trigo com características importantes para a produção de etanol e alimentação animal.“Para produção de etanol é essencial que as cultivares se destaquem pelo elevado PH, bons níveis de amido, e alta produtividade. Já para a produção do coproduto do etanol (o farelo), chamado de DDG, agregamos uma melhor resistência genética à giberela em comparação à outras cultivares e, especialmente, outros cereais de inverno”, esclarece o diretor e melhorista da Biotrigo Genética, André Cunha Rosa.

Presidente do conselho administrativo do ECB Group, o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra comemorou a assinatura do protocolo de intenções. Turra lembrou o projeto sugerido por ele, de melhor aproveitamento das áreas agrícolas do Estado pelas culturas de inverno (concretizado no Duas Safras da Farsul, já em andamento). “Nos unimos para fazer o óbvio e trazer o desenvolvimento para o nosso Estado”, analisou Turra. Os 155 milhões de toneladas de farelo, subproduto do etanol, serão destinados à alimentação animal de rebanhos leiteiros e plantéis da avicultura e suinocultura.

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