Pesquisa mostra que apenas 2% das crianças e adolescentes em casas de acolhimento foram contaminados pelo coronavírus

Locais em que geralmente há grande circulação de pessoas, os serviços de acolhimento(ou casas) registraram a Covid-19 em apenas 2% das crianças e adolescentes entre os meses de maio e julho deste ano. O dado é do Levantamento Nacional dos Serviços de Acolhimento Institucional e Familiar em Tempos de Covid-19, lançado  durante o Seminário Nacional do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária.

O levantamento que analisou os impactos da pandemia nos serviços de acolhimento teve como base de dados o Censo do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) de 2019, instrumento de monitoramento coordenado pela Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) do Ministério da Cidadania. Dos 3.181 serviços de acolhimento existentes no país, 1.327 (42% do total) responderam aos questionários da pesquisa, sendo 65% de abrigos institucionais, 20% de casas-lares e 12% de acolhimento em famílias acolhedoras.

Foram ouvidos representantes de 804 municípios de todas as regiões brasileiras, que correspondem a 54% do total que ofertam serviços de acolhimento no país, e que acolhem, ao todo, 14.060 crianças e adolescentes (47% do total do país). O estudo identificou que 28% dos acolhidos tinham idades de 0 a 6 anos, 29% de 7 a 11 anos, 36% de 12 a 18 anos e 7% com idades superiores a 18 anos.

Entre os 1.327 respondentes, 268 serviços de acolhimento (20,2%) registraram a ocorrência de Covid-19 no período analisado. Foram 1.075 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus entre acolhidos e acolhedores, 781 casos recuperados e 782 suspeitos. Além disso, 64 tiveram a necessidade de hospitalização e três óbitos ocorreram entre adultos, sendo um funcionário de abrigo institucional e dois integrantes de famílias acolhedoras.

“De fato, a Covid-19 chegou aos serviços de acolhimento. Tivemos suspeitos, pessoas isoladas, pessoas que foram contaminadas e até óbitos, mas tivemos uma grande parte de recuperados”, afirma a pesquisadora do Levantamento Nacional, Dayse Bernardi, da Associação de Pesquisadores e Formadores da Área da Criança e do Adolescente (NECA).

Entre os casos de Covid-19 identificados, 152 eram crianças de 0 a 11 anos, e 117 eram adolescentes de 12 a 18 anos. Também foram identificados cinco jovens acima dos 18 anos com a doença. “A pesquisa permite concluir que os protocolos adotados pelos serviços de acolhimento nesse período foram eficazes e evitaram a disseminação da doença entre os acolhidos”, constata Dayse. Do total de identificados com Covid-19, 741 eram funcionários de serviços institucionais (69%), 10 eram voluntários (3%) e 29 eram membros de famílias acolhedoras (2,8%).

Os dados indicaram ainda que o percentual de contaminação entre acolhidos variou dependendo da modalidade de acolhimento. O maior índice ocorreu nos abrigos institucionais, onde há maior número de acolhidos por unidade e grande fluxo de entrada e saída de profissionais, com 2,29% das crianças e 3,02% dos adolescentes acolhidos contaminados. No caso das casas-lares, onde o cuidado é prestado por cuidador-residente e o número de acolhidos por unidade é de no máximo 10, os índices foram de 0,68% e 0,65%, respectivamente.

Já nos serviços de acolhimento em família acolhedora, onde as crianças e os adolescentes ficam em residências de famílias selecionadas e capacitadas para prestar os cuidados adequados, não houve caso de contaminação entre acolhidos. A comparação reforça como o acolhimento individualizado ofertado pela modalidade familiar tem impacto benéfico na prevenção da disseminação de doenças infectocontagiosa, como a Covid-19, além dos ganhos já comprovados em relação ao desenvolvimento emocional dos acolhidos.

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