Pesquisa nacional da UFPel será retomada com financiamento privado

A coordenação da pesquisa Epicovid19-BR, que estima a prevalência do coronavírus no Brasil, anunciou nesta quarta-feira a realização de nova etapa de entrevistas e testes rápidos em 133 cidades distribuídas entre todos os estados brasileiros. A etapa será realizada entre os dias 20 e 23 de agosto.

Depois que o Ministério da Saúde suspendeu o financiamento da pesquisa, a quarta etapa será financiada pelo programa Todos pela Saúde, fundo criado pelo Itaú Unibanco para apoiar iniciativas de enfrentamento à Covid-19. “Os números de casos de infecção, internações e mortes por coronavírus se mantêm altos. Precisamos das melhores evidências para embasar ações e prevenir mortes evitáveis de brasileiros”, disse o coordenador geral do estudo,  reitor da UFPEL Pedro Hallal.

A quarta etapa segue a mesma metodologia das três anteriores. Cerca de dois mil entrevistadores do IBOPE Inteligência voltam às ruas para visitar residências e realizar testes rápidos e entrevistas com 250 moradores em cada município incluído no estudo, totalizando amostra nacional de 33.250 participantes somente nesta etapa da pesquisa.

Para cada diagnóstico confirmado pelas estatísticas, o estudo estimou que existem ao redor de seis casos reais não notificados. De cada cem infectados, um vai a óbito.

A pesquisa documentou que, em um mês, a prevalência dobrou na população: os percentuais passaram de 1,9%, na primeira etapa, para 3,1%, na segunda, e alcançaram 3,8% na última etapa.

Os pesquisadores ainda identificaram a existência de “várias epidemias” em curso simultâneo no país, com diferenças entre as regiões brasileiras e desigualdades entre grupos étnicos e socioeconômicos. Enquanto, no Norte, 10% da população, em média, têm ou já teve coronavírus, no Sul, esse percentual está em torno de 1%.

Em todas as fases da pesquisa, os 20% mais pobres apresentaram o dobro do risco de infecção em comparação aos 20% mais ricos. Além disso, indígenas tiveram um risco cinco vezes maior do que os brancos.

Como funciona a pesquisa

O estudo inclui a cidade mais populosa de cada uma das 133 regiões intermediárias do país, que são divisões do território nacional definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A seleção das residências e das pessoas que serão entrevistadas e testadas ocorre por meio de um sorteio aleatório, utilizando os setores censitários do IBGE como base.

Durante a visita, os pesquisadores coletam uma gota de sangue da ponta do dedo do participante, que será analisada pelo aparelho de teste em aproximadamente 15 minutos. Em caso de resultado positivo, os profissionais comunicam a Vigilância Epidemiológica local.

 

 

 

 

fonte Rádio Guaíba

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