Posseiros da área do Porto de Cachoeira do Sul terão que deixar terras por determinação da Justiça

Uma ação realizada nesta quarta-feira (21) pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RS surpreendeu os posseiros existentes na área industrial  do porto de Cachoeira do Sul. Com um oficial de justiça e  o apoio da Brigada Militar e Prefeitura cada um dos cinco ocupantes da área pública foram notificados de que devem se retirar do local.

Não houve reação, mas muita reclamação. Neste primeiro momento, cercas foram derrubadas em um ponto de criação de gado e de cavalos. O processo vai correr na Justiça, porque objetivo do Estado é a reintegração de posse.

Os posseiros estão na área do porto há muito tempo. Algumas famílias construíram suas moradias no local, mas outros utilizam o espaço para plantio de culturas e criar animais. Foi feito uma espécie de loteamento onde os cercados têm porteiras e há corredores para cada lote.

A força-tarefa teve a presença de uma oficial de Justiça. Ela informou a cada posseiro qual era o motivo da ação e os desdobramentos a partir de agora. Ouviu reclamação dos investimentos que foram feitos, porque até galpões foram construídos em uma área pública onde não há qualquer proibição de entrada.

18 ANOS

Há 18 anos na área do porto, Marco Antônio dos Santos Silva, 42 anos, cria 20 cabeças de gado leiteiro, planta mandioca, abóbora, melancia, pastagens, mas não mora no local. Ele reside no Parque Primavera, um bairro que fica perto da área do porto. Marco Antônio cercou suas lavouras e também o espaço onde ficam seus animais. “Sei que estou numa área pública, mas quero saber quem vai me ressarcir dos investimentos que fiz durante todos estes anos. Acrescentou que cuida de sua área e que não pode de um momento para outro abandonar seus bens.

NÃO TEM VOLTA

O diretor do Departamento de Ações e Programas Especiais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RS, Lucídio Ávila, disse que não tem volta. Segundo ele, os posseiros já receberam um comunicado há 90 dias de que invadiram a área e que deverão deixar o local. “O Estado tem um planejamento para a área do porto, tanto que já determinou uma área industrial em parceria com a Prefeitura de Cachoeira do Sul.

Lucídio revelou que a busca é pela reintegração de posse. “O processo inicia agora e, por isto, cada um está sendo comunicado”, afirmou. Ele salientou que tudo que construído na área é ilegal e cedo ou tarde, todos deverão deixar o local.

UMA NOVELA   

A invasão da área do porto em Cachoeira do Sul não é de agora. Muitas famílias moram no local e isto sempre foi do conhecimento da Prefeitura e do Governo Estado. A questão são as edificações. Pelo menos quatro casas foram construídas no local. Afinal, a energia elétrica passa perto, não tem pagamento de aluguel e há estrada em condições. Este contexto está ao lado da empresa Granol e também perto do prédio da antiga Charqueada, onde foi construída uma plataforma para embarque e desembarque de cargas, projeto que se arrasta há mais de 20 anos.

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