Cachoeira começa a plantar área de arroz 10% menor na safra 2018/2019

Os produtores de arroz de Cachoeira do Sul seguem a tendência dos últimos anos e deverão reduzir, em média, 10% da área plantada no município. Levantamento de intenção de plantio da safra 2018/2019 realizado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) aponta que deverão ser semeados 26,5 mil hectares em Cachoeira, enquanto na safra anterior a área chegou a pouco mais de 29 mil hectares.

O coordenador regional do Irga, engenheiro agrônomo Pedro Hamann, atribui a esta redução a elevação contínua dos custos de produção nos últimos anos e as oscilações de preço da saca, que geralmente não acompanha o valor investido no processo produtivo. “Isso acaba tirando o produtor da atividade”, analisou Hamann, em entrevista à Rádio Fandango AM/FM. Hoje, o preço da saca de 50 quilos de arroz irrigado tipo 1 (58% de grão inteiro) do produtor para a indústria está em R$ 42,00 na região de Cachoeira do Sul

Na década passada, a área de arroz chegou a atingir um recorde de 40 mil hectares plantados, mas dificuldades de mercado enfrentadas pelos produtores, como excedentes de produção que puxaram o preço para baixo, inviabilizaram a atividade especialmente para quem dependia diretamente de financiamento bancário para permanecer na atividade.

SEMEADURA EM ATRASO

Hoje, o levantamento do Irga aponta que Cachoeira está com a semeadura atrasada, considerando o período ideal tecnicamente recomendado, que vai até 10 de novembro. O boletim divulgado na última sexta-feira (12) indica que a semeadura no município chegou a 1,5 mil hectares, o que corresponde a 5,7% da área de intenção.

Esse atraso é atribuído pelo Irga principalmente às chuvas das últimas semanas, que impedem o produtor de avançar com o maquinário nas áreas de várzea. Por isso, existe uma forte intenção no meio produtivo de expandir a área plantada com arroz pré-germinado, que no ano passado chegou a 27% do total de hectares plantados. “Como o pré-germinado é plantado em áreas inundadas, o produtor consegue vencer o fator climático”, destacou o coordenador do Irga.

Além disso, a interrupção da Ponte do Fandango e os problemas com a travessia por balsas também impactaram a logística dos produtores, o que obviamente atrasou os trabalhos na largada da safra. Para este ano, existe também uma perspectiva de continuidade no cultivo de soja na várzea em Cachoeira, que no ano passado chegou a uma produtividade de 43 sacas por hectare.

EL NIÑO

Outro fator observado pelo Irga para a safra 2018/2019 é a tendência de predominância de El Niño de fraca intensidade e de curta duração, com chuvas acima da média, podendo atingir cerca de 200 milímetros nos meses de outubro, novembro e dezembro. Este cenário acaba prejudicando o arroz, que necessita de tempo seco para ser semeado e maior radiação solar para se desenvolver, mas por outro lado beneficia a soja de coxilha, que necessita de umidade concentrada no solo.

 

 

Jornal O Correio e Rádio Fandango AM/FM

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