Projeto da UFSM/Cachoeira fica entre os 32 finalistas de prêmio nacional de patrimônio cultural
O projeto de extensão Cachoeira do Sul: Para Conhecer – Para Valorizar, vinculado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus de Cachoeira do Sul, ficou entre as 32 ações finalistas da 39ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A iniciativa foi selecionada entre 950 inscrições de todo o país, em uma premiação que reconhece ações de preservação e valorização do patrimônio cultural brasileiro.
Com o tema “Patrimônio Criativo: Inclusão Produtiva, Trabalho e Renda”, a edição de 2026 registrou um número recorde de inscrições. Das 950 propostas recebidas, 904 foram habilitadas e analisadas pelas Comissões Estaduais. Em seguida, 182 ações avançaram para a etapa nacional, na qual 32 foram selecionadas como finalistas. Desse grupo, 18 foram declaradas vencedoras e contempladas com R$ 40 mil cada.
A classificação do projeto da UFSM entre os finalistas representa um reconhecimento nacional de uma iniciativa que aproxima a universidade e a comunidade por meio da valorização do patrimônio cultural, da economia criativa e do incentivo à produção local.
Patrimônio cultural como inspiração para o artesanato
O projeto atua na valorização e difusão do patrimônio cultural de Cachoeira do Sul por meio da criação de souvenirs inspirados em referências históricas e arquitetônicas do município, como o Château d’Eau e a Catedral Nossa Senhora da Conceição. Os produtos contribuem para divulgar a identidade local e estimular o interesse da população pela preservação de sua história.
A iniciativa conta com a participação das associações de artesãos ASCART (Associação Cachoeirense do Artesanato) e ASSOARTE (Casa do Artesão de Cachoeira do Sul), além de microempreendedores locais e outros integrantes da comunidade. Conforme as informações apresentadas na inscrição ao prêmio, mais de 60 artesãos foram envolvidos direta ou indiretamente pela ação, que busca gerar oportunidades de trabalho e renda a partir da produção e comercialização de itens relacionados ao patrimônio cultural.
A proposta ganhou dimensão prática em 2025, com a realização das oficinas “Linhas do Patrimônio” e “Biscoitos Patrimoniais”. As atividades permitiram experimentar novas formas de comunicar e valorizar a história do município por meio do fazer artesanal.
Nas oficinas, mulheres da comunidade assumiram o protagonismo ao compartilhar seus conhecimentos e saberes como ministrantes. A experiência promoveu a troca de conhecimentos, o reconhecimento das práticas artesanais locais e a criação de possibilidades de geração de trabalho e renda.
Educação patrimonial e valorização dos saberes locais
Além de estimular a produção artesanal, o projeto utiliza os próprios produtos como instrumentos de educação patrimonial. Os souvenirs são acompanhados de etiquetas explicativas com informações sobre as edificações e os monumentos que inspiraram sua criação.
Dessa forma, os produtos ultrapassam a função de lembranças e passam a divulgar a história e o patrimônio cultural de Cachoeira do Sul, levando informações sobre o município a diferentes públicos.
A proposta também articula conhecimentos acadêmicos, tecnologias e saberes tradicionais. Na avaliação técnica do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, o projeto foi analisado em cinco critérios: relevância cultural, abordagem transversal, diversidade e representatividade, dimensão educativa e efetividade da ação. O parecer destacou a colaboração entre universidade e comunidade, a valorização dos saberes locais e o potencial da iniciativa para promover inclusão produtiva e geração de renda.
Reconhecimento ao trabalho coletivo
Para a coordenadora do projeto, professora Luiza Segabinazzi Pacheco Delongui, a classificação entre os finalistas representa uma conquista construída coletivamente e um incentivo à continuidade das atividades.
“Estar entre os finalistas de um prêmio nacional, especialmente diante do número expressivo de iniciativas inscritas, me emociona e motiva a buscar dar continuidade ao projeto. Esse reconhecimento valida um trabalho que vem sendo construído coletivamente e que busca aproximar a universidade e a comunidade através de trocas que enriquecem quem tem a chance de participar das ações”, destaca a professora.
O projeto conta com a colaboração das associações ASCART e ASSOARTE, das secretarias municipais de Cultura e de Desenvolvimento Econômico e Turismo, além de estudantes, bolsistas e participantes das oficinas.
A iniciativa demonstra como a integração entre universidade e comunidade pode contribuir para preservar a memória local, fortalecer o artesanato e criar oportunidades de desenvolvimento a partir da valorização do patrimônio cultural de Cachoeira do Sul.
Colaboradores e agradecimentos: ASCART; ASSOARTE; Secretaria Municipal de Cultura; Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo; Anna Carolina Rocha Furin, bolsista FIEX 2025; Lauren Miranda Costa, bolsista COREDE 2025; Maria Paula Lopes, ministrante da oficina “Linhas do Patrimônio”; Fernanda Agne, ministrante da oficina “Biscoitos Patrimoniais”; Luísa Tonet; Vitória Stockey; Eduardo Maieron; Robison Yonegura; Lucas Delongui; Rogério Brittes; e Lucas Ávila.