Estado apresenta balanço de ações e resultados da educação pública no RS
O governo do Estado apresenta um balanço das principais ações desenvolvidas na educação pública estadual nos últimos anos, período marcado pela implementação de políticas de acompanhamento da aprendizagem, ampliação da oferta de ensino em tempo integral, fortalecimento da educação profissional e investimentos na estrutura e no funcionamento das escolas.
Na sexta-feira (9/10), Raquel Teixeira encerrou, a pedido, sua gestão à frente da Secretaria da Educação (Seduc), cargo que ocupava desde abril de 2021. A secretária-adjunta, Stefanie Eskereski, assume a condução da pasta, com a continuidade das políticas e dos projetos em andamento.
Entre os resultados do período, estão o melhor desempenho da Rede Estadual no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a expansão da oferta de educação em tempo integral e o crescimento das matrículas na educação profissional. Também integram o balanço iniciativas voltadas à alfabetização, à recomposição das aprendizagens, à formação continuada dos profissionais e à autonomia das equipes diretivas na gestão dos recursos das escolas.
Na quinta-feira (8/10), uma cerimônia no Instituto Caldeira, em Porto Alegre, marcou o encerramento do ciclo de gestão. O encontro reuniu o governador Eduardo Leite, representantes da Seduc, coordenadores regionais, profissionais da rede e parceiros institucionais. Na ocasião, foram assinados decretos relacionados à institucionalização do Sistema de Governança da Educação, da Política de Tempo Integral e da Política de Educação Antirracista.
Ao comentar o balanço da área, Leite destacou a importância da continuidade das políticas educacionais e do acompanhamento dos resultados para o fortalecimento da rede pública de ensino. “A educação exige planejamento, continuidade e compromisso com a aprendizagem dos estudantes. Nosso trabalho é garantir que as políticas públicas tenham condições de avançar e produzir resultados concretos para a população gaúcha”, afirmou.

Política orientada por dados e evidências
A adoção de mecanismos permanentes de acompanhamento da aprendizagem foi uma das frentes de atuação da Seduc no período. Para isso, a secretaria estruturou uma série de ações com foco em combater a evasão escolar. O primeiro movimento foi diagnosticar a situação da Rede Estadual e, a partir das informações produzidas, promover uma estratégia permanente de acompanhamento da educação.
Nesse período, também foram realizadas diversas avaliações periódicas nas escolas estaduais, que serviram para orientar a tomada de decisões, auxiliando a identificar as lacunas provocadas pela pandemia. Além disso, a gestão construiu uma rotina de diálogo com as equipes das 30 Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) e das escolas.
Reuniões frequentes divididas por demandas, Jornadas Pedagógicas transmitidas para a rede e encontros temáticos foram utilizados para apresentar objetivos, acompanhar resultados e orientar as equipes sobre as prioridades de cada etapa.
Além da reestruturação administrativa da Seduc – que envolveu a criação de novos departamentos –, um dos principais resultados foi o crescimento nos indicadores educacionais.
Resultados e indicadores históricos
A Rede Estadual alcançou o maior resultado de sua história no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador da qualidade da educação no Brasil, atingindo a nota 4,7. O avanço combinou um salto de 0,53 em proficiência pedagógica e 0,93 no indicador de fluxo escolar (redução da evasão e aumento da aprovação).
Esse crescimento colocou o Rio Grande do Sul entre os Estados com a maior evolução do país entre a edição anterior do Ideb, realizada em 2023, e a atual, de 2025. Da mesma forma, entre os programas prioritários, houve ainda a expansão do Ensino Médio Tempo Integral (EMTI), que amplia a jornada escolar com a formação cidadã e a qualificação profissional.
O número de escolas de EMTI passou de 18, em 2022, para 432 em 2026. Considerando as instituições que possuem Ensino Fundamental em Tempo Integral, a Rede Estadual alcança 529 escolas no modelo.

A ampliação foi acompanhada pelo crescimento da Educação Profissional, que chegou a mais de 55 mil matrículas em 2026 – maior número já registrado na Rede Estadual conforme dados do Censo Escolar. A oferta de cursos técnicos está presente em todas as escolas de EMTI, sendo voltada para atender às demandas específicas de cada região do Estado.
Além disso, houve mudanças na parte pedagógica. A inovação trazida pelos Estudos de Aprendizagem Contínua (EAC) permitiu que as escolas pudessem intensificar as intervenções pedagógicas, compreendendo as necessidades de cada estudante.
A rede também passou a utilizar ferramentas de análise de dados que, com o auxílio de inteligência artificial, ajudam as escolas a identificar quais estudantes têm maior probabilidade de abandono, agilizando os planos de acompanhamento individual.
Pela primeira vez no RS, foram criados mecanismos voltados ao reconhecimento dos profissionais da educação. Professores e servidores da Rede Estadual receberam bônus relacionado ao desempenho das escolas, por meio do Programa de Reconhecimento da Educação Gaúcha.
A política estabeleceu incentivos associados aos resultados educacionais, destacando tanto o trabalho coletivo quanto o esforço individual das equipes nas escolas, além de reconhecer o desempenho dos estudantes.
Valorização, investimentos e reconhecimento da educação
A valorização dos profissionais esteve relacionada à recomposição do quadro do magistério. Em 2025, o Estado homologou concurso público que resultou na nomeação de 5.808 professores para a Rede Estadual, dando continuidade à retomada das seleções para o magistério após uma década sem novos concursos para professores.
O período também foi marcado pela entrega inédita de uniformes para professores e alunos da Rede Estadual e pela ampliação das formações continuadas, com cerca de 9 mil horas de conteúdos relacionados à alfabetização, recomposição das aprendizagens, uso de dados, inclusão e educação antirracista.
Novos investimentos asseguraram maior autonomia para as escolas estaduais solucionarem problemas cotidianos. Criado em 2021, o Agiliza Educação repassou mais de R$ 1,2 bilhão diretamente às escolas. Os valores atendem tanto às demandas regulares quanto situações emergenciais, provocadas pelos eventos climáticos extremos.

Dessa forma, as próprias equipes diretivas receberam recursos para despesas e intervenções. Dentre eles, pequenos reparos; pintura; e aquisição de mobiliário, eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos e materiais de custeio.
Consolidando as políticas de alfabetização, o Programa Alfabetiza Tchê conta com a colaboração de todos os 497 municípios gaúchos. A política, que prevê alfabetizar plenamente as crianças das escolas públicas do RS até o 2° ano do Ensino Fundamental, envolve a formação de alfabetizadores e gestores, criação de materiais pedagógicos e premiação às escolas.
Ao encerrar sua gestão, Raquel agradeceu às equipes da Seduc, das coordenadorias regionais e das escolas estaduais pelo trabalho realizado ao longo do período. “Saio com o sentimento de dever cumprido. Foram mais de cinco anos de muito trabalho, em momentos extremamente desafiadores, e tenho orgulho do que construímos juntos”, declarou.