Cachoeira do Sul: acusados pelo MP são condenados a 27 e 21 anos de prisão por homicídio de pai e filho por engano
Dois acusados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foram condenados nesta terça-feira, 18 de agosto, pelo Tribunal do Júri em Cachoeira do Sul, pelos homicídios qualificados de Vinícius Kochenborger Silva e Luis Alberto da Silveira Silva. Eles foram mortos por engano. O executor dos disparos recebeu pena de 27 anos, dois meses e 20 dias de reclusão, enquanto o homem responsável pelo levantamento prévio do local e pela identificação equivocada do alvo foi condenado a 21 anos de prisão. O promotor de Justiça Átila Castoldi Kochenborger atuou em plenário. Os réus permanecerão em regime inicial fechado.
Os crimes ocorreram na noite de 10 de março de 2024 na Lancheria Amsterdam, em Cachoeira do Sul. Conforme a investigação e a denúncia apresentada pelo MPRS, os condenados receberam a missão de executar um funcionário do estabelecimento, mas indicaram e atacaram a pessoa errada. Vinícius foi confundido com o verdadeiro alvo e morto a tiros enquanto trabalhava. Seu pai, Luis Alberto, foi baleado ao tentar defendê-lo e morreu dias depois em decorrência dos ferimentos. Os jurados reconheceram as qualificadoras de meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e emprego de arma de fogo de uso restrito. No caso de Luis Alberto, também foi reconhecida a qualificadora de homicídio praticado para assegurar a execução e a impunidade de outro crime.
Para o promotor Átila Kochenborger, o Conselho de Sentença reconheceu aquilo que o Ministério Público e a família das vítimas sustentavam desde o início: Vinícius e Alberto foram assassinados por engano. “A sociedade de Cachoeira do Sul deu uma resposta à altura ao reconhecer a responsabilidade criminal do executor do crime e do responsável pelo levantamento do local, que indicou equivocadamente a vítima. Os autos demonstraram que a morte era destinada a um funcionário da lancheria e não tinha relação com Vinícius e Alberto.”
Os familiares das vítimas foram acompanhados desde o início das apurações e durante toda a tramitação processual pelo Projeto Nêmesis de Cachoeira do Sul, voltado ao atendimento de vítimas. A denúncia e a atuação ministerial durante a primeira fase do processo foram conduzidas pela promotora de Justiça Marina Lameira. O MPRS também recorrerá das penas aplicadas por entender que ficaram aquém da expectativa da acusação, que busca a soma das penas de cada um dos delitos para a adequada responsabilização dos condenados.