Crédito bancário cresce 0,3% em abril, enquanto juros e inadimplência seguem em alta no Brasil

O BC (Banco Central) informou nesta quinta-feira (28) que o ritmo de crescimento do crédito no País perdeu força em abril, em meio à alta dos juros e ao avanço da inadimplência das famílias.

Os dados fazem parte do relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgada pela autoridade monetária. De acordo com os dados, o estoque total de crédito do SFN (Sistema Financeiro Nacional) chegou a R$ 7,2 trilhões em abril, com alta de 0,3% no mês e avanço de 9,3% em 12 meses.

Em março, o crescimento acumulado em um ano era de 9,8%, indicando desaceleração. O movimento foi puxado principalmente pela perda de ritmo das operações com empresas e famílias. O crédito para pessoas jurídicas cresceu 6,7% em 12 meses, abaixo dos 7,6% registrados até março. Já o crédito às famílias avançou 10,8%, ante 11,1% no mês anterior.

Os dados mostram que o encarecimento do crédito continua pressionando consumidores e empresas. A taxa média de juros das concessões bancárias subiu para 33,8% ao ano em abril, alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 2,4 pontos em relação ao mesmo período do ano passado.

No crédito com recursos livres — modalidade em que os bancos têm maior liberdade para definir taxas — os juros médios chegaram a 49,5% ao ano. Para pessoas físicas, a taxa atingiu 63% ao ano, avanço de 5 pontos percentuais em 12 meses. O BC destacou a elevação das taxas do crédito pessoal sem consignação e do cartão de crédito rotativo entre os principais fatores de pressão.

Do lado das empresas, os juros médios do crédito livre ficaram em 25,3% ao ano. O Banco Central apontou influência do aumento das taxas no cheque especial empresarial.

Apesar dos juros elevados, as concessões de crédito seguiram crescendo. Os bancos concederam R$ 691,5 bilhões em empréstimos em abril. Considerando os dados ajustados sazonalmente, houve alta de 2,1% no mês, impulsionada principalmente pelas operações com empresas.

A inadimplência, porém, também continuou avançando. O percentual de atrasos acima de 90 dias na carteira total de crédito chegou a 4,4% em abril, alta de 0,9 ponto percentual em 12 meses. Entre as famílias, a inadimplência atingiu 5,4%, enquanto no crédito livre para pessoas físicas o índice chegou a 7,2%.

Os indicadores de endividamento seguem elevados. O comprometimento de renda das famílias ficou em 29,3% em março, aumento de 1,3 ponto percentual em 12 meses. Já o endividamento das famílias alcançou 49,8% da renda acumulada em 12 meses.

O relatório também mostrou crescimento do chamado crédito ampliado ao setor não financeiro, indicador que inclui empréstimos bancários, títulos públicos e privados. O estoque chegou a R$ 21,1 trilhões em abril, equivalente a 162,7% do PIB, com expansão de 11,1% em 12 meses.