Olivicultura gaúcha recupera produção
A safra de oliva está em colheita no Rio Grande do Sul e a produção está excelente, tanto em qualidade dos frutos como em produtividade. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (9/4), a cadeia gaúcha da olivicultura apresenta forte variabilidade produtiva, com influência direta das condições climáticas sobre a floração, frutificação e desenvolvimento das oliveiras. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, as plantas apresentam boa sanidade e ótimos rendimentos e a colheita ocorre lentamente. Os produtores da região não comercializam a produção de frutos, mas contratam um lagar para a produção de azeites a serem comercializados com marcas próprias.
Na região de Santa Maria, a safra das oliveiras está excelente, garantindo ótima qualidade de azeites em Cachoeira do Sul, Restinga Sêca, São João do Polêsine, Formigueiro e São Sepé. Já na região de Soledade, destaque para o município de Encruzilhada do Sul, que possui em torno de mil hectares com oliveiras, mas parte da área ainda não está em produção.
A recuperação significativa da olivicultura nesta Safra 2025/2026, após duas safras frustradas, é resultado de horas de frio adequadas no inverno, precipitações dentro da normalidade na primavera e boa distribuição de chuvas no verão, que favoreceram muito a cultura. Além disso, ocorrências pontuais de déficit hídrico no final do verão provocaram apenas leve atraso na colheita, sem impacto na produção. No momento, as cultivares mais produtivas são Koroneiki e Arbequina.
O extensionista e engenheiro florestal da Emater/RS-Ascar, Antônio Borba, destaca o cenário positivo, mas ressalta que os resultados finais dependem da conclusão da colheita. “Espera-se uma excelente safra, mas somente depois de colhida poderemos afirmar a magnitude da produção e da produtividade, e o quanto isso vai resultar em litros de azeite de oliva produzido no Rio Grande do Sul”, afirma. A colheita de olivas pode se estender até meados de abril, dependendo da variedade e da região.
Abertura da Colheita
É nesse cenário de boa produção e otimismo que acontece em Triunfo, na próxima semana (17/4), a 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva. A cerimônia oficial está prevista para às 11h, mas ao longo do dia ocorrem a Feira de Negócios e a Feira do Azeite Novo e especialistas do setor participam de palestras técnicas.
Dados da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) indicam que o Rio Grande do Sul responde por cerca de 75% da produção nacional de azeite de oliva, com mais de 6 mil hectares cultivados em mais de 110 municípios, com destaque para a Metade Sul do Estado. “A qualidade do azeite gaúcho segue como destaque, sendo favorecida pela colheita precoce de frutos ainda verdes, o que eleva a concentração de compostos fenólicos e a estabilidade oxidativa e torna o perfil sensorial mais intenso, com notas herbáceas características. Esse padrão tem contribuído para a valorização do produto em mercados especializados”, avalia Borba, ao observar que o setor está em expansão estrutural, apesar da sensibilidade à variação climática. “A alternância entre safras evidencia a necessidade de estratégias de manejo adaptativo e monitoramento climático. Após dois anos de baixa produção, a Safra 2025/2026 tende a representar recuperação importante”, diz.
Culturas de Verão
Soja – A cultura da soja avança para a fase final do ciclo. Beneficiada por predomínio de tempo seco, elevada insolação e baixa umidade relativa do ar no período, a colheita está acelerada, alcançando 38% da área cultivada nesta safra, que é de 6.624.988 hectares. O teor de umidade dos grãos colhidos variou entre 13% e 14%, favorecendo a eficiência operacional da debulha e minimizando descontos por umidade na comercialização nas unidades recebedoras. 42% das lavouras estão maduras, 19% ainda em enchimento de grãos, e poucas em floração.
Milho – A colheita de milho no Estado evolui e alcança 83% da área cultivada nesta safra, que é de 803.019 hectares. As lavouras remanescentes estão 7% em estádios reprodutivos, e 9% em maturação. O predomínio de tempo firme tem favorecido a conclusão da colheita nas áreas aptas. As lavouras tardias apresentam boas condições de desenvolvimento, mas ainda dependem de condições hídricas adequadas para a consolidação do enchimento de grãos. A colheita restante em áreas de minifúndio ocorre, em muitos casos, de forma gradual, associada à secagem natural dos grãos no campo.
Milho silagem – A colheita do milho para silagem atinge cerca de 82% no Estado. As áreas remanescentes estão em enchimento de grãos (9%), favorecidas pela recomposição da umidade do solo e menor demanda evaporativa, relacionada ao encurtamento dos dias e horas de insolação. O desempenho produtivo está satisfatório, com variações associadas à distribuição das chuvas e ao manejo, destacando-se melhores resultados nas áreas com maior disponibilidade hídrica nos estádios críticos.
Feijão 1ª safra – A colheita do feijão 1ª safra se encontra praticamente concluída (97%) no Estado, restando áreas de maior altitude, nos Campos de Cima da Serra, onde o cultivo ocorreu de forma mais tardia e a colheita alcança 70%. Nessa região, o desempenho produtivo foi afetado por condições climáticas menos favoráveis em janeiro e fevereiro, coincidindo com a fase reprodutiva, o que resultou em redução dos rendimentos. Nas demais regiões, com plantio realizado no cedo, as lavouras não foram afetadas e mantiveram o potencial produtivo inicialmente esperado. A Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares, e produtividade média de 1.781 kg/ha.
Feijão 2ª safra – A cultura em 2ª safra apresenta evolução regular de ciclo. Estão 13% colhidos, e 18% em maturação. A maior parte das lavouras remanescentes se encontra em estádios reprodutivos (60%) e as mais tardias, em vegetativos (9%). De modo geral, observa-se bom estado fitossanitário e desempenho produtivo compatível com o potencial das lavouras, sobretudo nas áreas em fases críticas de definição de rendimento.
Arroz – A cultura do arroz avança para a fase final do ciclo no Estado. As operações de colheita foram intensificadas e atingem 68,88% da área total cultivada que, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), é de 891.908 hectares. As condições climáticas no período, caracterizadas por tempo firme intercalado com precipitações de baixa intensidade, favoreceram o ritmo das operações, apesar das variações pontuais na umidade dos grãos.
De modo geral, a produtividade confirma o bom desempenho, estimado pela Emater/RS-Ascar em 8.744 kg/ha, e reflete as condições favoráveis ao longo do ciclo, como adequada disponibilidade de radiação solar e manejo hídrico. As lavouras restantes estão em maturação, e pequena parcela ainda em enchimento de grãos, denotando que a colheita se estendera até próximo ao final do mês de abril.