Morosidade da administração municipal leva ao desmonte do transporte público
A indefinição na licitação do transporte coletivo urbano de Cachoeira do Sul começa a produzir efeitos diretos no funcionamento do serviço. Trabalhadores da empresa Transporte Nossa Senhora das Graças (TNSG), atual concessionária do sistema, decidiram entrar em estado de greve após assembleia geral extraordinária realizada na terça-feira (27).
A decisão foi comunicada oficialmente pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Cachoeira do Sul à empresa. Segundo a entidade, a medida é consequência da falta de uma proposta de reajuste salarial, situação que se arrasta há meses e que, na avaliação do sindicato, está diretamente ligada à insegurança gerada pela demora do Município em definir o futuro do transporte coletivo por meio de nova concorrência pública.
De acordo com documento assinado pelo presidente do sindicato, Luiz Anibal Vieira Machado, apesar de diversas reuniões, a empresa não apresentou nenhuma proposta concreta de reajuste. Os trabalhadores alegam defasagem salarial e afirmam que a instabilidade do contrato atual impede avanços nas negociações, transferindo o impasse para quem depende do transporte diariamente.
Nos bastidores, a avaliação é de que a ausência de uma licitação atualizada, capaz de estabelecer regras claras, equilíbrio econômico-financeiro e garantias para trabalhadores e usuários, contribui para o enfraquecimento do sistema. A demora do poder público em conduzir o processo licitatório acaba refletindo na qualidade do serviço, nas condições de trabalho e no risco de paralisações.
O sindicato informou que uma nova assembleia está marcada para sexta-feira, dia 30 de janeiro, quando será analisada eventual proposta da empresa. Caso não haja avanço ou se a proposta não for aprovada pela categoria, os trabalhadores poderão decidir pela manutenção do estado de greve ou pela decretação de greve, conforme prevê a legislação.