Malha Ferroviária Sul é discutida em Porto Alegre com participação estratégica de Cachoeira

Na última quarta-feira, o município de Cachoeira do Sul esteve representado em Porto Alegre na reunião que discutiu a Malha Ferroviária Sul e o corredor Mercosul. Participaram do encontro o Chefe de Gabinete, Cleiton Santos, e a Adjunta da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Lívia Lima.

A Prefeitura de Cachoeira do Sul foi convidada pelo presidente da Fiergs, Cláudio Bier – que possui uma filial da Masal, sua empresa, no município – e, por determinação do prefeito Leandro Balardin, foi o único município da região da Malha Sul e Mercosul presente no encontro. A participação foi considerada estratégica, por possibilitar a articulação direta entre o Município e os governos Estadual e Federal.

O objetivo é fortalecer o diálogo institucional e ampliar as perspectivas para o desenvolvimento logístico, econômico e industrial de Cachoeira do Sul e da região. “Hoje, um dos gargalos do nosso município é logístico, e estamos atuando no sentido de buscar soluções”, destacou o prefeito Leandro Balardin.

Durante a reunião, o Governo Federal anunciou que os editais para as novas concessões do modal ferroviário da linha Mercosul – no qual Cachoeira do Sul está inserida – deverão ser publicados em novembro de 2026, o que abre novas oportunidades para investimentos e melhorias na infraestrutura ferroviária.

Para lembrar.

As enchentes de maio de 2024 destruíram grande parte da malha ferroviária do Rio Grande do Sul, com mais de 700 km de linhas afetadas e paralisadas, isolando o estado e prejudicando o transporte de grãos, com a Rumo Logística, concessionária, cogitando devolver trechos e operando apenas o essencial (Cruz Alta ao Porto de Rio Grande), enquanto se discute a recuperação e o fim da concessão em 2027, com prejuízos bilionários e incertezas sobre o futuro do modal. 
Principais Impactos e Danos:
  • Paralisação: Metade da malha ferroviária gaúcha (mais de 700 km) ficou inoperante após as chuvas, bloqueando a ligação com outros estados.
  • Linhas Afetadas: O Tronco Sul (Canoas a SC), a Ferrovia do Trigo (Roca Sales a Passo Fundo), e ramais entre  Canoas – Rio Pardo – Cachoeira do Sul – Santa Maria – Uruguaina foi fortemente impactado,  com túneis inundados, quedas de barreiras e pontes destruídas.
  • “Trem dos Vales”: O passeio turístico, importante para a economia local, está fora de operação.
  • Desmonte de Trilhos: Trechos (como em Santa Tereza) estão sendo desmontados e levados para Santa Catarina, gerando preocupação sobre desativação. 
Fim do Contrato: O contrato com a Rumo vai até fevereiro de 2027.
  • Proposta de Devolução: A Rumo apresentou proposta para devolver parte dos trechos, focando apenas na rota mais lucrativa (Cruz Alta-Rio Grande).
  • Críticas: Setores econômicos e o governo criticam a concessionária por falta de investimentos e manutenção prévia. 
Consequências Econômicas e Sociais:
  • Logística: O frete de grãos aumentou, já que cargas que iriam por trem agora vão por caminhão, impactando o agronegócio.
  • Turismo e Comércio: Empreendimentos turísticos da região (como no Vale do Taquari) sofreram queda brusca no movimento.
  • Empregos: Cerca de 330 trabalhadores foram impactados, com alguns sendo remanejados para outros estados. 

Recuperação Complexa: A recuperação exigiria bilhões de reais e um ano de trabalho, mas a incerteza sobre o fim da concessão gera dúvidas, mas há  propostas para separar trechos turísticos e buscar outros investidores para reparos.