Janeiro Roxo destaca o enfrentamento à hanseníase no Estado
O primeiro mês é marcado pela conscientização sobre a hanseníase, doença crônica e infectocontagiosa que pode ser completamente curável desde que haja o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. O Janeiro Roxo é uma campanha nacional que busca alertar a população sobre sinais e sintomas. A cor roxa simboliza a luta contra o preconceito e contra a desinformação sobre a doença.
Apesar do baixo número de casos registrados no Rio Grande do Sul nos últimos anos, dar visibilidade ao tema é fundamental para se barrar a transmissão da doença. De acordo com a responsável pela Política Estadual de Controle de Hanseníase (PECH), Márcia Lira, justamente por não haver altos índices de incidência no Estado, a doença acaba sendo uma das últimas suspeitas entre os profissionais de saúde, podendo levar ao diagnóstico tardio, quando a pessoa afetada já tem algum grau de incapacidade instalado.
Para contornar esse cenário, a PECH realiza diversas capacitações teóricas ao longo do ano para profissionais e agentes comunitários de saúde, tendo como parceira a Equipe de Hanseníase do Ambulatório de Dermatologia e Hanseníase, referência estadual no assunto. Além disso, também são realizadas capacitações relacionadas ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação e à baciloscopia. O tratamento da hanseníase é fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o diagnóstico precoce é fundamental para garantir a cura sem sequelas.
O Dia Mundial de Combate à Hanseníase, que ocorre no último domingo de janeiro (25/1), promove o Janeiro Roxo e reforça a importância de se buscar ajuda médica o quanto antes para se evitar sequelas permanentes. Como parte da campanha deste ano, a PECH promoverá, em 11 de fevereiro, uma live sobre a temática, buscando conscientizar profissionais da Atenção Primária à Saúde sobre a doença. A live será transmitida pelo canal da Atenção Primária à Saúde no YouTube:
https://www.youtube.com/@dapsrs
Transmissão
A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, que infecta os nervos periféricos. Ela afeta principalmente os nervos superficiais da pele e troncos nervosos periféricos (localizados na face, pescoço, terço médio do braço e abaixo do cotovelo e dos joelhos), podendo afetar também os olhos e órgãos internos (mucosas, testículos, ossos, baço, fígado etc.).
A transmissão ocorre quando uma pessoa com hanseníase, na forma infectante da doença e sem tratamento, elimina o bacilo pelas vias aéreas superiores (espirro, tosse ou fala), geralmente após um contato próximo e prolongado. Os objetos utilizados pela pessoa infectada não transmitem a doença.
Principais sintomas
- Manchas na pele, que podem ser esbranquiçadas, acastanhadas ou avermelhadas, com alterações de sensibilidade ao calor, dor e tato
- Formigamentos, choques e câimbras nos braços e pernas, que evoluem para dormência – a pessoa se queima ou se machuca sem perceber;
- Caroçosnormalmente sem sintomas;
- Diminuição ou queda de pelos, especialmente nas sobrancelhas (madarose);
- Pele avermelhada, com diminuição ou ausência de suor no local.
Além dos sinais e sintomas mencionados, pode-se observar:
- Dor, choque e/ou espessamento de nervos periféricos;
- Diminuição e/ou perda de sensibilidade nas áreas dos nervos afetados, principalmente nos olhos, mãos e pés;
- Diminuição e/ou perda de força nos músculos inervados por estes nervos, principalmente nos membros superiores e inferiores e, por vezes, pálpebras;
- Inchaçode mãos e pés com arroxeamento dos dedos (cianose) e ressecamento da pele;
- Febre edor nas articulações, associados a caroços dolorosos, de aparecimento súbito;
- Aparecimento súbito de manchas dormentes com dor nos nervos dos cotovelos, joelhos e tornozelos;
- Entupimento, feridas e ressecamento do nariz;
- Ressecamento e sensação de areia nos olhos.