UFSM enfrenta corte de R$ 11,2 milhões no orçamento de 2026
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) terá um corte de R$ 11,2 milhões (7,01%) em sua dotação orçamentária para 2026, conforme a Pró-Reitoria de Planejamento. Em vez dos R$ 159.748.303 previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado pelo governo federal ao Congresso, o valor para gastos discricionários — como água, luz, telefone, segurança e bolsas de assistência estudantil — cai para R$ 148.556.485. Esse montante é inferior aos R$ 155.691.967 executados em 2025. Para a diretoria da Sedufsm (Sindicato dos Servidores da UFSM), a redução exige revisão imediata e dotações orçamentárias garantidas por lei para as instituições federais.
A UFSM não está isolada: o orçamento das 69 universidades federais sofreu corte de 7,05% (R$ 488 milhões) aprovado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) no fim de 2025. Os recursos foram realocados para emendas de deputados e senadores em ano eleitoral, gerando impacto entre dirigentes e a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior).
O presidente da Sedufsm, professor Everton Picolotto, (Foto destacada)classifica o corte como “lastimável”, destacando que o financiamento atual é cerca de 50% do patamar de 2014. “Com essa redução, teremos menos recursos que em 2025, ignorando a inflação e reajustes. Isso agrava a manutenção de estruturas, bolsas, limpeza e segurança”, afirma.
Prejuízos apontados pela Andifes
Segundo a Andifes, o corte atinge R$ 100 milhões (7,3%) apenas na assistência estudantil, prejudicando o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), que beneficiou 400 mil alunos em 2024 com bolsas, alimentação e moradia, conforme o Ministério da Educação. Sem recomposição, o orçamento de 2026 ficará abaixo do executado em 2025, desconsiderando inflação e reajustes contratuais. A associação alerta para riscos à sustentabilidade administrativa, permanência de estudantes vulneráveis e cortes paralelos na Capes e no CNPq, comprometendo ensino, pesquisa e extensão.
Indignação com barganha política
Picolotto critica os parlamentares por cortarem a educação para fortalecer emendas. “Em ano eleitoral, buscam controle orçamentário, forçando reitores a peregrinar por gabinetes em Brasília para recompor verbas via emendas. Isso viola a autonomia universitária e impõe barganha política”, enfatiza.
Propostas para soluções
Para o dirigente, a comunidade universitária deve pressionar o Congresso por dotações fixas por lei, evitando negociações anuais e “lobby fragilizante”. O movimento sindical, sugere, deve cobrar orçamentos garantidos e denunciar parlamentares que priorizam barganhas em detrimento do ensino federal.