TNSG divulga nota sobre paralisação do transporte coletivo
O diretor da TNSG, Pipa Germanos, divulgou uma nota pública na qual comenta a paralisação do transporte coletivo em Cachoeira do Sul e faz considerações sobre a situação da empresa e do serviço prestado à população.
Germanos ressalta que o serviço de transporte por ônibus é considerado essencial e que, por esse motivo, uma paralisação total fere direitos garantidos à população. Segundo ele, a Lei nº 7.783/89 estabelece que a comunidade não pode ser prejudicada, cabendo ao sindicato a responsabilidade de garantir o funcionamento mínimo previsto em lei.
Ao tratar das reivindicações dos trabalhadores, o diretor afirma reconhecer a legitimidade dos pedidos e declara que deseja conceder o aumento pleiteado. No entanto, destaca que representa uma empresa que está em Recuperação Judicial desde 2020 e que enfrenta dificuldades financeiras recorrentes. Conforme a nota, a empresa “sangra todos os meses” para manter os salários em dia e continuar atendendo a população, situação que teria se agravado após uma redução superior a 10% promovida pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana. Para Germanos, essa redução fere princípios constitucionais fundamentais, como o equilíbrio financeiro, a continuidade do serviço público e a dignidade do trabalho.
Na sequência, o diretor reforça o histórico da Transportes Nossa Senhora das Graças, afirmando que ela sempre prestou um serviço de excelência à população cachoeirense. Ele lembra que a empresa foi a primeira do Estado, em 2003, a implantar a bilhetagem eletrônica e o reconhecimento facial, o que, segundo ele, demonstra o compromisso com a modernização e o uso de tecnologia no atendimento à cidade.
Apesar disso, Germanos aponta que a ausência consecutiva de uma licitação válida tem contribuído para o cenário atual. De acordo com a nota, desde 2014 existe a exigência de uma nova licitação, que não teria sido realizada pelas sucessivas administrações municipais, obrigando a empresa a operar por meio de contrato considerado precário. Ele acrescenta que mudanças no contexto social e econômico, como o surgimento de aplicativos de transporte, também impactaram negativamente a sustentabilidade do serviço.
O diretor afirma que esse conjunto de fatores levou a empresa a uma situação de empobrecimento, comparada a um “cobertor curto”, em que não é possível atender a todas as demandas ao mesmo tempo. Germanos também critica a visão de que empresas concessionárias não deveriam buscar lucro ou prosperidade, classificando essa percepção como contrária à lógica do trabalho e do investimento.
Na nota, ele reforça que concessionárias não são entidades filantrópicas e que precisam de apoio do poder público para oferecer um serviço de qualidade à população e manter uma relação financeira saudável. Para o diretor da TNSG, o equilíbrio de uma empresa concessionária só é possível quando a prefeitura cumpre a sua parte na equação.