Índia confirma casos do vírus Nipah e acende alerta sanitário internacional

As autoridades de saúde da Índia confirmaram múltiplos casos do vírus Nipah, uma doença viral rara e altamente letal, registrados na região próxima a Calcutá, no estado de Bengala Ocidental. O surto levou à adoção imediata de medidas de quarentena para quase 100 pessoas, entre pacientes, profissionais de saúde e contatos próximos.

De acordo com o governo indiano, o foco inicial da infecção foi identificado em um hospital particular na cidade de Barasat. Profissionais de saúde, incluindo enfermeiros e um médico, foram contaminados durante o atendimento a um paciente infectado. Os casos reforçam a preocupação com a transmissão em ambientes hospitalares, historicamente associados à disseminação do vírus Nipah.

Visão geral da doença

O vírus Nipah é um patógeno zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos. Seu principal reservatório natural são morcegos frugívoros, especialmente da família Pteropodidae. A infecção pode ocorrer por meio do consumo de alimentos contaminados por secreções desses morcegos, pelo contato com animais infectados, como porcos, ou ainda pela transmissão direta entre pessoas.

Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, tosse e dor de garganta. Em um período que varia de 4 a 14 dias, a doença pode evoluir para encefalite grave, causando confusão mental, convulsões e coma. Não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o Nipah; o manejo clínico é apenas de suporte, conforme orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Riscos de transmissão

Embora a transmissão de pessoa para pessoa seja menos frequente do que a transmissão de animais para humanos, ela pode ocorrer de forma eficiente em contextos de contato próximo, como hospitais e residências. O atual surto reforça esse risco, já que profissionais de saúde foram infectados ao cuidar de um único paciente.

As autoridades indianas isolaram os casos confirmados em um hospital especializado em doenças infecciosas em Calcutá e intensificaram o rastreamento de contatos para conter a propagação. Medidas de vigilância epidemiológica também foram ampliadas em áreas urbanas densamente povoadas.

Impacto na saúde pública

A taxa de letalidade do vírus Nipah é elevada, variando entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade de resposta do sistema de saúde. Mesmo entre os sobreviventes, são frequentes as sequelas neurológicas de longo prazo. Segundo informações oficiais, uma enfermeira permanece em estado crítico em uma unidade de terapia intensiva.

As autoridades de saúde recomendam evitar o consumo de frutas ou alimentos que possam ter tido contato com morcegos, reforçar práticas de higiene e procurar atendimento médico imediato diante de sintomas compatíveis com a doença.

Riscos para o Brasil e o mundo

Especialistas avaliam que, no momento, o risco de disseminação global do vírus Nipah é considerado baixo, mas não inexistente. O aumento das viagens internacionais, a urbanização acelerada e o contato crescente entre humanos e habitats naturais ampliam as chances de introdução do vírus em outros países.

No caso do Brasil, o risco direto é considerado reduzido, pois não há circulação conhecida do vírus no território nacional e os morcegos reservatórios do Nipah não são nativos da região. No entanto, autoridades sanitárias destacam a importância da vigilância em portos e aeroportos, especialmente para viajantes provenientes de áreas afetadas.

Pode se tornar uma pandemia como a Covid-19?

Apesar da gravidade do vírus Nipah, especialistas afirmam que ele não apresenta, até o momento, o mesmo potencial pandêmico observado no SARS-CoV-2, causador da Covid-19. O Nipah não se transmite com a mesma facilidade por via aérea e geralmente exige contato próximo para se espalhar entre pessoas.

Ainda assim, a OMS alerta que mutações virais ou falhas na contenção local podem alterar esse cenário. Por isso, o monitoramento constante, a transparência na divulgação de dados e a rápida resposta a surtos são considerados essenciais para evitar uma crise sanitária de maiores proporções.

O surto na Índia reacende o debate global sobre a preparação dos sistemas de saúde para doenças emergentes e reforça a necessidade de investimentos em vigilância, pesquisa e cooperação internacional.