Rotativo do cartão é mais usado por consumidores com menor renda

O rotativo do cart√£o de cr√©dito √© mais utilizado por consumidores que recentemente perderam um emprego formal e por benefici√°rios de programas sociais. √Č o que conclui o Banco Central em uma pesquisa divulgada hoje (12), em Bras√≠lia, no Relat√≥rio de Economia Banc√°ria.

O rotativo √© o cr√©dito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cart√£o. O cr√©dito rotativo dura 30 dias. Ap√≥s esse prazo, as institui√ß√Ķes financeiras transferem a d√≠vida para o cr√©dito parcelado.

Até entrar em vigor uma nova regra, os clientes que não pagavam pelo menos o valor mínimo da fatura em dia caíam na modalidade de rotativo não regular, com taxa de juros mais cara que a cobrada dos clientes adimplentes (regulares).

Mas o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que, a partir deste mês, a taxa de juros tem que ser igual para clientes regulares e não regulares. A pesquisa do BC foi feita com dados de dezembro de 2017, quando ainda podia ter diferenciação entre regulares e não regulares.

‚ÄúNas modalidades do cart√£o de cr√©dito rotativo (regular e n√£o regular), observa-se menor participa√ß√£o de indiv√≠duos com alta escolaridade, assim como maior participa√ß√£o de indiv√≠duos recentemente desligados do mercado de trabalho formal e de benefici√°rios de programas sociais‚ÄĚ, diz o relat√≥rio. Al√©m disso, acrescenta o Banco Central, a participa√ß√£o de consumidores com menos tempo de emprego e menor renda tamb√©m √© maior no cart√£o de cr√©dito rotativo do que na modalidade √† vista ou parcelado com lojista.

Saldo devedor

Segundo a pesquisa, entre os analfabetos o saldo devedor do cartão de crédito é dividido em 38% na modalidade à vista ou parcelado com o lojista (sem incidência de juros), 32% no rotativo regular, 6% no não regular e 27% parcelado (com juros).

No caso do consumidor com ensino superior completo, a maior parte do saldo devedor é da modalidade à vista ou parcelado com o lojista (61%), seguido de rotativo regular (25%), parcelado (23%) e rotativo não regular (3%). Os percentuais somam mais de 100% porque um consumidor pode ter saldo em várias modalidades ao mesmo tempo.

Entre os pesquisados que usam apenas a modalidade à vista ou parcelada com o lojista, 71,4% têm emprego formal, 2,1% recebem seguro-desemprego, 12,9% não recebem seguro-desemprego ou Bolsa Família e 19,9% são beneficiários do programa Bolsa Família.

Já na modalidade rotativo regular, 63,5% dos indivíduos têm emprego formal, 2,6% recebem seguro desemprego, 13,5% são desempregados sem nenhum auxílio e 28,5% recebem Bolsa Família.

No caso do rotativo n√£o regular esses percentuais s√£o, respectivamente, 54,3% (empregados formalmente), 3,9% (recebem seguro-desemprego), 20,5% (desempregados sem aux√≠lio) e 29,6% (recebem Bolsa Fam√≠lia). No relat√≥rio, o BC esclarece que as informa√ß√Ķes n√£o s√£o excludentes, ou seja, um indiv√≠duo pode ter emprego formal e receber Bolsa Fam√≠lia, por exemplo.

Segundo o BC, as taxas de juros são mais baixas para os consumidores com idade mais elevada, renda mais alta, com alto nível de instrução e menos endividados porque apresentam um perfil de risco menor.

A pesquisa do BC envolveu 49,9 milh√Ķes de consumidores, com saldo total na carteira ativa de cart√£o de cr√©dito de R$ 191 bilh√Ķes em dezembro de 2017.

Entre eles, 15,6 milh√Ķes possu√≠am saldo devedor em cart√£o de cr√©dito rotativo regular e 2,6 milh√Ķes tinham saldo devedor em cart√£o de cr√©dito rotativo n√£o regular.

Al√©m disso, 41,8% (20,9 milh√Ķes) estavam formalmente empregados; 1,6% (786 mil) recebiam seguro-desemprego; 16,1% (8,1 milh√Ķes) eram benefici√°rios de algum programa social (em sua maioria, do Bolsa Fam√≠lia); 8,9% (4,4 milh√Ķes) foram demitidos entre 2016 e 2017 e n√£o recebiam seguro-desemprego ou Bolsa Fam√≠lia; e 36,3% (18,1 milh√Ķes) n√£o foram mapeados pelas bases de dados utilizadas.