Primeira Apac do Estado começa a receber apenados em 24 de dezembro

A primeira unidade da Associação de Proteção e Assistência aos condenados (APAC)começa a receber apenados no dia 24 de dezembro, no antigo prédio do Albergue Pio Buck, na zona leste de Porto Alegre. A solenidade de inauguração do prédio será no dia 18 de dezembro. O método Apac foi criado há três décadas no interior de São Paulo, abrangendo apenados de todos os regimes prisionais dispostos à ressocialização por meio de estudo, trabalho e disciplina.

De acordo com o conselheiro da APAC no RS Mauro Mello, em um primeiro momento, ser√£o recebidos quatro condenados. S√£o dois ga√ļchos, que passaram por um est√°gio em uma Apac do Paran√°, e dois paranaenses. A expectativa √© receber, a cada m√™s, quatro homens, totalizando 60 apenados quando o projeto atingir a m√°xima capacidade.

‚ÄĒ A gente n√£o pode fazer como no sistema prisional, que jog√°-los l√° (os apenados) sem saber. A fam√≠lia desses presos que ir√£o para l√° foi procurada, j√° que √© uma das apoiadoras na recupera√ß√£o do preso. Por isso o √≠ndice de ressocializa√ß√£o √© de mais de 90% ‚ÄĒ afirmou.

Onze funcion√°rios j√° passaram por sele√ß√£o e est√£o sendo contratados nesta semana. Outras 65 pessoas receberam treinamento em setembro para atuar na Apac. Tamb√©m, nesta semana, est√£o sendo comprados os √ļltimos itens que faltam, como geladeiras, fog√£o e roupas de cama. A Justi√ßa Federal doou R$ 87 mil para as compras. Os beliches que ir√£o para o local est√£o sendo preparados na marcenaria do Pres√≠dio Central de Porto Alegre.

J√° h√° outras quatro Apacs constitu√≠das no Estado, mas que ainda n√£o foram estruturadas fisicamente. No futuro, elas funcionar√£o em Pelotas, Tr√™s Passos, Palmeira das Miss√Ķes e Canoas ‚ÄĒ que deve ser a segunda inaugurada no Rio Grande do Sul.

A reforma do pavilhão que receberá os primeiros presos, que são do regime semiaberto, já está pronta. O restante será feito num segundo pavilhão, para os presos do regime fechado. A obra é custeada por meio de um termo de cooperação com o governo do Estado.

Como funciona o método

Conforme a presidente da Apac Porto Alegre, Isabel Cristina Oliveira, os presos acordam às 6h e vão dormir às 22h. Logo cedo, arrumam suas celas e fazem um momento de reflexão.

‚ÄĒ Os volunt√°rios passam mensagens positivas a eles e os fazem refletir. √Č o momento de pensar na fam√≠lia, de desejar coisas boas para quem eles conhecem. Dura cinco minutos ‚Äď explica Isabel.

Os presos das Apacs t√™m um quadro de pontua√ß√£o. Se n√£o acordarem no hor√°rio, por exemplo, recebem falta leve. O ac√ļmulo de faltas, de acordo com o regulamento, pode resultar na volta do preso para a penitenci√°ria.

‚ÄĒ Uso de drogas, uso aparelho celular e objetos il√≠citos, por exemplo, s√£o pass√≠veis de puni√ß√£o.

Logo após o momento de reflexão, os presos fazem e tomam café. Após lavarem os utensílios e arrumarem a cozinha, começam atividades comandadas pelos voluntários.

‚ÄĒ Eles produzem artesanatos, por exemplo, participam de aulas e palestras ‚ÄĒ conta Isabel.

Assim como o caf√© da manh√£, o almo√ßo, o caf√© da tarde e o jantar s√£o de responsabilidade dos presos, sendo que um deles coordena a cozinha. Em geral, as atividades devem terminar √†s 18h, quando o grupo poder√° ficar em esp√©cie de sala multiuso, participando de atividades l√ļdicas e palestras com algum volunt√°rio.

Os presos poder√£o receber visitas uma vez por semana.

fonte Ga√ļcha/ZH