Presidente do Comtran: Decisão sobre Rotativo estava com cartas marcadas

A “reunião extraordinária” do Conselho Municipal de Trânsito (Comtran), realizada na tarde desta segunda-feira (29), decidiu, por oito votos a um, que recomendará a adoção do estacionamento pago.

O presidente do Comtran, Hilton De Franceschi, acabou isolado na defesa pelo sistema gratuito. “Vamos experimentar. Não podemos onerar ainda mais a população”, argumentou sem respaldo dos demais presentes. Dos nove conselheiros, apenas De Franceschi estava contra o projeto apresentado pela Prefeitura e que segue em tramitação na Câmara de Vereadores.

Segundo informou, a ata já formaliza consulta ao conselho, anotando a presença de nove membros e oito favoráveis ao projeto. “Sou contra votarmos. Achava que era preciso votar dentro de um ambiente próprio do Comtran. Mas se o prefeito já empurrou ‘goela abaixo’, que seja…”, lamentou De Franceschi.

Segundo a apresentação, estimativas sugerem uma receita mensal em torno de R$ 164,2 mil com a implantação do sistema em Cachoeira do Sul. Em 10 anos, serão cerca de R$ 19,7 milhões. Já a outorga deve girar em R$ 2,7 milhões, ou seja, aproximadamente R$ 24,6 mil ao mês.

De acordo com dados mostrados, o rotativo sem cobrança – projeto defendido por De Franceschi e aprovado em reunião do Comtran – teria um custo na prática. Cálculos da Prefeitura indicam que cada agente de trânsito ficaria responsável por 80 vagas. Sendo 1.361, mas 1.222 disponíveis para exploração, as planilhas apresentadas apontam a necessidade de 32 agentes, o equivalente a R$ 107,1 mil por mês. Incluindo investimentos com pintura, combustível e uniformes, o montante saltaria para R$ 186,8 mil. “Hoje, a cidade virou um estacionamento coletivo. Precisamos urgentemente da rotatividade. E quem não tem carro? Vai ter que pagar para quem usa uma vaga?”, questionou o vice-prefeito. “Não existe gasto. Se tiver, são apenas dois fiscais. Vamos fazer um teste. Não entendo essa resistência…”, desabafou De Franceschi.

O projeto de lei que prevê a Zona Azul está tramitando, em regime de urgência, na Câmara de Vereadores.

 

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