Para manter o preço, setor de biodiesel quer aprovação para aumentar nível a diesel

A indústria de biodiesel deve ampliar a pressão sobre o governo federal para o aumento da mistura do combustível ao diesel, motivada pelo veto do presidente Jair Bolsonaro à alta de 5,7% nos preços do combustível de petróleo. A decisão de Bolsonaro, na última quinta-feira, dia 11, deu argumento econômico aos produtores, após veto técnico do Ministério das Minas e Energia (MME) para a elevação da mistura, atualmente em 10% (B10), para 11% (B11) em junho deste ano e até B15 em 2023.

Como é misturado ao diesel e adquirido por leilões bimestrais, os preços dessa fatia do biocombustível ficam estáveis por ao menos dois meses. Além disso, com o aumento da oferta, os preços do biodiesel têm caído nos leilões recentes e podem frear a alta do diesel.

O que dizem os envolvidos 

Para Donizete Tokarski, diretor superintendente Ubrabio, “além de representar o melhor custo-benefício entre os combustíveis comercializados no país, o biodiesel é competitivo com o diesel fóssil em todas as regiões brasileiras. No Centro-Oeste e Sul, por exemplo, onde está concentrada a maior parte da produção, o biodiesel já é mais barato que o combustível fóssil”, disse. “Não ampliar a mistura hoje é um retrocesso e atende interesses de segmentos cuja decisão não contribui com o necessário desenvolvimento defendido pelo novo governo”, completou.

Prazo 

O aumento da mistura do biodiesel ao diesel de petróleo de B10 pra B11 deveria ser autorizado pelo MME em 1º de março para entrar em vigor em 1º junho deste ano e, sucessivamente, em mais 1 ponto porcentual ao ano, até chegar ao B15 em 2023. No entanto, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou ao grupo de trabalho setorial, comandado pelo MME, que o biodiesel apresentou problemas em alguns testes de associadas, principalmente com possíveis danos a motores e veículos causados pela instabilidade na mistura.

O MME vetou a alta antes de novos procedimentos das companhias, o que gerou críticas e iniciou a pressão da indústria do biocombustível por uma mistura maior mesmo com os testes inconclusivos. Para Ferrés, da Ubrabio, o governo aceitou “a interferência de argumentos frágeis e desconexos da Anfavea, que não se sustentaram”.

Mesmo com a pressão, técnicos do MME argumentam que a responsabilidade pode recair no governo se houver algum problema futuro com motores, ou até acidentes com veículos causados pela mistura maior, e mantêm a posição e o veto até a conclusão de novos testes.

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