Cliente insatisfeita com micropigmentação de sobrancelhas reclama nas redes sociais e é condenada

Os Juízes de Direito que integram a Terceira Turma Recursal Cível dos Juizados Especiais Cíveis do Rio Grande do Sul mantiveram condenação de uma consumidora que, descontente o resultado do procedimento estético, se queixou da qualidade o trabalho de forma depreciativa nas redes sociais. Os magistrados consideraram que ofendeu a honra objetiva da profissional. Ela terá que pagar R$ 2 mil por danos morais.

Caso

A autora ingressou com ação judicial contra uma cliente que, insatisfeita com o início do trabalho de micropigmentação de sobrancelhas, passou a reclamar da profissional no Facebook. Após a realização da primeira etapa do procedimento estético, o alinhamento (desenho, medidas) das sobrancelhas, a cliente começou a se queixar do resultado encaminhando mensagens pelo aplicativo WhatsApp.

A esteticista disse que esclareceu a necessidade de aguardar trinta dias para o retoque, momento em que o alinhamento poderia ser avaliado e retocado, na hipótese de ser necessário. A cliente não teria sido paciente e continuou encaminhando mensagens pelo aplicativo WhatsApp e postou no Facebook textos sobre sua insatisfação:

”¬†Entreguei meu sonho de uma sonbrancelha (sic) perfeita a uma q se dis (sic) profissional (sic)…hahahaha (…)” e¬†“n√£o caiao (sic) em qualquer uma a√≠. N√£o v√£o pelo pre√ßo…kkk pois o barato pode te custar muito caro… Confiar em incompetentes (…).”

As trocas de mensagens pelo WhatsApp, que constam no processo, mostram o desentendimento entre as partes. A esteticista referiu que não realizaria o retoque e a cliente disse que já tinha procurado a opinião de outras duas profissionais, ou seja, a realização da segunda etapa do procedimento tornou-se inviável, razão pela qual a micropigmentação de sobrancelhas não foi finalizada.

Na decisão, foi levado em conta que em quatro meses a cliente não buscou outra profissional para uma nova análise e realização dos procedimentos necessários. Assim, a conclusão foi de que as postagens na rede social ultrapassaram a realidade dos fatos. A insatisfação dela, não seria justificativa, por si só, para o excesso de mensagens e postagens, objeto da ação. A atitude foi considerada imprudente, por enviar mensagens e postar comentários, desqualificando o trabalho da autora, o que configurou abalo aos direitos da personalidade dela.

A cliente requereu a restitui√ß√£o de R$ 100,00, valor pago pela primeira etapa do procedimento. Assim, foi determinada a devolu√ß√£o deste valor, uma vez que a profissional n√£o apresentou op√ß√Ķes para que a cliente pudesse, no prazo de 30dias, realizar o procedimento de retoque com outra profissional, em face da insatisfa√ß√£o e inseguran√ßa demonstrada por ela.

A ré foi condenada a pagar também indenização por danos morais, no valor de R$ 2 mil. Ela recorreu da decisão ao TJ.

Recurso

O relator, Juiz de Direito F√°bio Vieira Heerdt, manteve a senten√ßa. Ele afirmou que, segundo as provas, a r√©, em vez de aguardar as instru√ß√Ķes que a autora havia dado antes e depois do procedimento, passou a ofender a honra objetiva da profissional, em rede social, alcan√ßando boa parte da clientela dela, em munic√≠pio de m√©dio porte.

No recurso, a própria cliente reconheceu que foi imprudente a conduta que adotou. Portanto, o magistrado manteve o valor da indenização em R$ 2 mil.

“N√£o se v√™, por fim, qualquer espa√ßo para o reconhecimento de culpa concorrente, uma vez que, tivesse a r√© adotado a conduta adequada (reclama√ß√£o administrativa e, no insucesso, a√ß√£o judicial), sem recorrer √†s redes sociais, com intuito meramente depreciativo √† honra da autora, o resultado n√£o teria ocorrido.”