Um vida só de Encrencas.

Eu não fazia a menor ideia que o nome era este. Na minha infância em porto alegre comia varias vezes (quando tinha dinheiro). Chamávamos de casquinha (o que não deixa de ser).

Foi minha esposa que um dia falou, quando um toque, como se fosse um sino, ecoou em frente a casa: “Ó! O encrenqueiro esta passando!”

Não conhecia bem a cidade. Fazia apenas duas semanas que havíamos nos mudado. Achei que se tratava de alguém que promovia brigas e desordem no bairro Soares.

Estava errado! Era um vendedor de casquinha (ou encrenca… vocês escolhem).

Casquinha ou encrenca? Não importa.

O que me leva a escrever sobre isso é a atitude de um jovem que passa todos os domingos em frente a minha casa por volta das 13:00 horas vendendo a tal encrenca.

Num desses domingos caia uma chuva fria, daquelas que não da vontade de sair de casa (e olha que era um domingo de verão).

Ele estava de guarda-chuva, carregando um latão (não sei o nome correto) cheio de encrencas.

Olhei para ele e pensei!  É a personificação da expressão “Um apaixonado pelo que faz”. Com esta chuva eu teria ficado era quieto no meu canto!

Lembrei então de uma reportagem sobre o assunto (encrenca), feita pela amiga e jornalista Lena Caetano da Tv NTsul.

Acessei o facebook e lá estava. A história sobre quando e quem começou.

A matéria relatava se tratar de uma atividade passada de pai para filho. Do Seu “João Francisco Lucas” para “Julio Lucas”.

E para minha surpresa, a pessoa para quem o seu Julio havia ensinado o ofício era o mesmo jovem pelo qual fiquei admirado em ver num domingo chuvoso, trabalhando. Mantendo a tradição de sair pelas ruas para levar um pouco da doce lembrança de que um dia fomos crianças.

O nome do jovem? “Cleiton Lucas”. Que segundo a reportagem, esta ensinando para o filho o que aprendeu do pai.

Cleiton não sabe, mas me passou um grande exemplo de que podemos sim amar nossa profissão, mesmo que não se ganhe muito dinheiro com ela (porque não vi o Cleiton de Ferrari ainda).

Acredito que através do nosso trabalho podemos ensinar alguns valores aos filhos. Que uma família unida em um mesmo propósito se fortalece.

Uma dica. Quando você ficar com preguiça de sair debaixo das cobertas para ir para o trabalho, entra no facebook “Encrencas Cachoeira” e da uma olhada no vídeo. Quem sabe ele sirva de motivação.

Ah! Não sabia. Em Londrina no Paraná, o nome da casquinha é “Biju”.

Como já terminei de comer minha “Casquinha” ou “Encrenca”, me dão licença, eu vou trabalhar!

Boa Noite!

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